TEMPO PER ANNUM - APÓS PENTECOSTES

(22 de maio a 26 de novembro de 2016)

Horários de Missa

CAMPO GRANDE/MS
Paróquia São Sebastião


DOMINGO
16:30h - Confissões
17h - Santa Missa

TERÇA A SEXTA-FEIRA
(exceto em feriados cívicos)
11h - Santa Missa

1º SÁBADO DO MÊS
16h - Santa Missa

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Nossa Sr.ª das Graças


Ave Maria, gratia plena;
Dominus tecum:
benedicta tu in mulieribus,

et benedictus fructus
ventris tui Iesus.

Sancta Maria, Mater Dei
o
ra pro nobis peccatoribus,
nunc et in hora
mortis nostrae.

Amen.

Nosso Padroeiro


Sancte Sebastiáne,
ora pro nobis.

Papa Francisco


℣. Orémus pro Pontífice nostro Francísco.
℟. Dóminus consérvet eum, et vivíficet eum, et beátum fáciat eum in terra, et non tradat eum in ánimam inimicórum ejus.
℣. Tu es Petrus.
℟. Et super hanc petram ædificábo Ecclésiam meam.
℣. Oremus.
Deus, ómnium fidélium pastor et rector, fámulum tuum Francíscum, quem pastórem Ecclésiæ tuæ præésse voluísti, propítius réspice: † da ei, quǽsumus, verbo et exémplo, quibus præest, profícere: * ut ad vitam, una cum grege sibi crédito, pervéniat sempitérnam. Per Christum, Dóminum nostrum.
℟. Ámen.

Dom Dimas Barbosa


℣. Orémus pro Antístite nostro Dismas.
℟. Stet et pascat in fortitúdine tua Dómine, sublimitáte nóminis tui.
℣. Salvum fac servum tuum.
℟. Deus meus sperántem in te.
℣. Orémus.
Deus, ómnium fidélium pastor et rector, fámulum tuum Dismam, quem pastórem Ecclésiæ Campigrandénsis præésse voluísti, propítius réspice: † da ei, quǽsumus, verbo et exémplo, quibus præest, profícere: * ut ad vitam, una cum grege sibi crédito, pervéniat sempitérnam. Per Christum, Dóminum nostrum.
℟. Amen.

Pe. Marcelo Tenório


"Ó Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, conservai os vossos sacerdotes sob a proteção do Vosso Coração amabilíssimo, onde nada de mal lhes possa suceder.

Conservai imaculadas as mãos ungidas, que tocam todos os dias vosso Corpo Santíssimo. Conservai puros os seus lábios, tintos pelo Vosso Sangue preciosíssimo. Conservai desapegados dos bens da terra os seus corações, que foram selados com o caráter firme do vosso glorioso sacerdócio.

Fazei-os crescer no amor e fidelidade para convosco e preservai-os do contágio do mundo.

Dai-lhes também, juntamente com o poder que tem de transubstanciar o pão e o vinho em Corpo e Sangue, poder de transformar os corações dos homens.

Abençoai os seus trabalhos com copiosos frutos, e concedei-lhes um dia a coroa da vida eterna. Assim seja!
"

(Santa Teresinha do Menino Jesus)

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25 de nov. de 2012

O que Deus espera de nós é que sejamos trigo, não joio.




O inimigo semeando o joio em meio ao trigo. Ilustração por René de Cramer.

Por Pe. Marcelo Tenório

Enfim, mais um dia do Senhor na nossa vida, um Domingo, Dies Domini, dia santo, para nós cristãos a Páscoa semanal. O santo Evangelho de hoje fala da parábola do joio e do trigo. O patrão, senhor das terras, mandou que se plantasse trigo. Para que serve joio? Ninguém quer joio. O joio serve para nada, mas para ser queimado, jogado fora. O inimigo, de madrugada, semeou joio. De repente, quando o joio começou a crescer em meio ao trigo, os empregados perceberam que alguma coisa estava errada. E foram até o patrão: “Senhor, plantamos trigo, e parece-nos também que está nascendo joio. Temos que arrancá-lo.” E o patrão disse: “Não, deixa estar, porque pode ser que, arrancando o joio, arranque-se também o trigo, e eu não quero que o trigo se perca. Vamos deixar o joio crescer. No momento em que forem ceifar, aí sim, veremos bem, o que é o joio e também o que é o trigo; então, iremos recolher o trigo para o meu celeiro, e o joio nós vamos queimar e jogar fora.”

Esta parábola se refere a nós. O patrão, o senhor, é Deus, é nosso Pai. O trigo foi plantado em nosso coração, na nossa alma, no dia do nosso Batismo. E o que Deus espera de nós é que sejamos trigo, não joio. O inimigo pode semear na nossa alma o joio; se crescerá ou não, depende de nós. Nós não somos pessoas possessas pelo demônio; mesmo os possessos pelos demônios não pecam voluntariamente, porque não estão nas suas atribuições e faculdades normais, na sua plena liberdade. Possessões demoníacas não acontecem “em três a cada quatro pessoas”. De forma que tudo está a critério das nossas decisões. Se queremos nos transformar em joio, transformar-nos-emos em joio; se queremos nos transformar em trigo, transformar-nos-emos em trigo. Sabemos muito bem e claramente, pela palavra de Deus, para onde vai o joio e para onde vai o trigo. Agora, se durante a vida me tornei joio, não posso esperar que, no final das contas, vá ser também colocado no celeiro, pois a palavra de Deus é muito clara: joio no fogo, trigo no celeiro. Se em minha existência me esforço, pela minha conduta, a ser “trigo”, como bem falava Santo Inácio de Antioquia, com certeza Deus não falhará em suas promessas; meu destino é o “celeiro”, a casa do Pai, não há outro objetivo... Agora, se prefiro justamente o oposto, então meu objetivo, meu fim último é o inferno; o fogo do joio representa o inferno, o fogo dos condenados.

A Epístola que acabamos de escutar é uma exortação à nossa santidade, tendo como princípio fundante a caridade, o amor. Por isso que o grande Mandamento é amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos. Mas a caridade é o vínculo da perfeição e da paz, isso basta; Santo Agostinho já dizia: “Ame e faça o que quiseres.” Claro que nós compreendemos muito bem que a frase de Santo Agostinho não se refere a desejos ilícitos.

Nós temos o privilégio de assistirmos, todos os domingos, à Santa Missa no Rito de sempre, o Rito que gerou santos, o Rito que trouxe para a Igreja uma multidão de mártires, de confessores, de doutores... Um Rito tão perfeito que não há outro igual. O mesmo Rito que Santa Teresinha do Menino Jesus via das grades do Carmelo, assim como Santo Afonso Maria de Ligório e outros santos que estiveram diante deste altar, como nós estamos agora. E qual a diferença destes santos para nós? A grande diferença é que eles não ficaram apenas olhando o rito. A grande diferença é que estes não fincaram os pés apenas nos detalhes dos ritos e nas alfaias do altar, e nem no rito pelo rito. A grande diferença destes santos para nós é que eles se tornaram o que deveriam se tornar mesmo, e que ainda nós não temos a coragem de nos tornar: “hóstias com Hóstia”.

Se a Missa é a renovação do Sacrifício do Senhor, também nesta Missa deve ter o meu sacrifício, a minha entrega total ao Senhor, renunciando a toda tendência de ser joio, custe-me o que custar. “Grande diferença” esta, porque o mesmo Espírito Santo que a multidão de Santos recebeu, também nós recebemos através do Batismo. E o que falta em nós para permitir que os sagrados Ritos nos santifiquem? Porque, se eu não quero, Deus não pode: “Aquele que te criou sem ti, não te salvará sem ti”.

O que falta para nós? Respondo com uma expressão muito tosca – mas Santa Teresa de Ávila usava expressões mais pesadas que esta. O que falta para nós todos é vergonha na nossa cara. Se a gente tivesse vergonha na cara, e olhássemos sério para o mistério do Calvário, se olhássemos realmente com os olhos da fé o que os Santos viram em êxtase, verdadeiramente, Cristo em suprema agonia, derramando Sua última gota de sangue por nós – se nós víssemos isso, nós iríamos transcender ao Rito, ao estético, ao belo, para nos encontrarmos com o Belo, com a própria Beleza, que é Deus nosso Senhor. Isso, sim, nos transformaria, com certeza, em hóstias vivas a se sacrificarem a cada instante, a cada minuto, a cada momento. Temos que ter muito cuidado, porque sobre nós poderá cair o que caiu sobre os fariseus: “O Reino dos Céus será tirado de vocês, e será dado a outro povo.” Assim Deus prometeu, e assim Deus realizou. Não adianta o exterior se nosso interior não mudou em nada, muito pelo contrário, piorou.

Nós estamos divulgando a Carlo Acutis, este jovem do banner ao lado, morto em 2006, dando a vida pelo Papa. Um jovem como outro qualquer. Um gênio na internet. Um jovem que, em seu apostolado, usava todos os meios modernos, menos o modernismo. Viveu até o último instante o seu amor sacrifical por Deus. Depois da sua Primeira Comunhão, jamais perdeu a Missa. Confessava-se toda semana. Procurava imitar em tudo, inclusive na prática de penitências, os Pastorinhos de Fátima, pelos quais tinha uma grande devoção. Embora sua família fosse muito rica, em vez de acompanhar os amigos para os países tropicais nas férias, ele sempre costumava ir para Assis. Fazer o que em Assis? Rezar, fazer penitência, sacrificar-se e socorrer os pobres. E ele não sabia que estava marcado para morrer! Não sabia nada disso... E ele não assistia à Missa Antiga! Porque não tinha onde morava, e não deu tempo de conhecê-la... Mas, ah, se ele tivesse descoberto a Missa Antiga! Interessante isso...  E alguém pode dizer: “Mas ele não assistia à Missa Antiga, como pode ser declarado Servo de Deus? E como pode ser elevado à honra dos altares?” Então, vocês que assistem à Missa Antiga, mostrem-me a sua santidade, que eu mostrarei a santidade deste menino de apenas quinze anos, que assumiu, até o último instante, ser “hóstia com Hóstia” no altar de sua vida.

E quando ele menos esperava, veio a notícia da leucemia fulminante, e ele quis saber do médico até onde ele poderia sofrer. E vendo os ataques na Europa contra o Santo Padre, um pouco pela trama diabólica contra a Igreja, outro tanto naquela onda de escândalos de pedofilia no clero, em que o mundo inteiro – modernista, ateu e herege – exigia até que o Papa fosse levado a tribunais, este jovem – que não assistia à Missa Antiga – determinou-se e disse a seus pais: “Ofereço todos os sofrimentos que irei passar pelo Santo Padre.” Grandiosa esta decisão dele. Ofereceu, e Deus aceitou, porque sofreu imensamente, durante sua doença até o último instante da sua vida. Pelo Santo Padre, até o fim, dando a sua vida.

E deixou oito conselhos aos jovens que servem muito bem para nós, que estamos aos poucos ficando de cabelos brancos ao mesmo tempo que não tomamos passos em direção a Deus:

“Desejem imensamente a santidade. E, se ainda este desejo não tiver nascido em seus corações, peçam isso a Deus com insistência, e Ele lhes dará.”

“Ide à Missa todos os dias e façam a Santa Comunhão.”

“Lembrem-se de rezar o Rosário todos os dias.”

“Confessem-se toda semana, mesmo que seus pecados sejam pequenos.”

“Se puderem, façam constantemente um momento de adoração ao Santíssimo diante do altar, lugar onde realmente Jesus está presente (...).”

“Peçam a seu Anjo da Guarda para ajudá-los continuamente, de modo que ele se torne seu melhor amigo.”

“Façam pedidos e ofereçam flores a Jesus e a Maria (...).”

“Todos os dias, leiam uma passagem das Sagradas Escrituras.”

E, assim, ele no ensina coisas que ele mesmo testemunhou. Apenas com quinze anos, era tão ingênuo a ponto de achar que o encontro de Assis seria o momento em que, enfim, os hereges aceitariam a Jesus e se converteriam. Apesar desta ingenuidade, Carlo fincou pé com o Catecismo, dando várias e várias catequeses a seu grande amigo – que era muçulmano – até que o venceu nos argumentos, e se tornou católico. E, pelo funeral de Carlo Acutis, diante de sua grandeza – seu corpo exalava um perfume – toda a família muçulmana de seu amigo já católico se converteu ao Catolicismo romano. Por um menino de quinze anos, que não teve a chance de conhecer o mistério profundo da Missa Antiga, à qual todos os domingos nós assistimos... “Ah, mas ele assistia à Missa nova!...” Repito: mostre-me a tua santidade, e eu te mostrarei a dele!

Corramos à conversão, porque as prostitutas podem estar nos Céus na nossa frente; encontrando-se elas com o mistério (da Missa de Sempre), convertem-se, e nós ficamos no pé, só no resto, só no exterior, e de fato não mudamos nem nos convertemos. Se nós temos a primícia das primícias – que é a Missa Antiga – temos muito mais responsabilidade, e Deus irá exigir muito mais de nós, porque não só o rito, temos a teologia; não só o rito e a teologia, temos a moral de todos os tempos, a moral cristã autêntica. Então, Deus exigirá de nós muito, mas muito mais que exigirá de alguém que nem sabe de tantas coisas. “A quem muito é dado, muito será cobrado.” Que Nossa Senhora nos dê a graça de queremos ser sempre “trigo”, e de fugirmos do terrível destino do joio, que será lançado fora, às trevas exteriores, ao fogo – não fogo que consome, mas o fogo que jamais se apaga.

Homilia proferida em 11 de novembro de 2012.
18 de nov. de 2012

Domingo, 18/11/2012: Leituras e Comentário ao Evangelho



6º DOMINGO APÓS EPIFANIA – Transferido

2ª Classe - Paramentos Verdes 



1ª Epístola de São Paulo Apóstolo aos Tessalonicenses 1, 2-10.

Irmãos: Damos sempre graças a Deus por todos vós, pedindo continuamente por vós, nas nossas orações; lembrando-nos, diante de Deus que é nosso Pai, da obra da vossa fé, e do trabalho da vossa caridade, e da constância da vossa esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo. Porque sabemos, irmãos amados de Deus, que fostes escolhidos para participar dos benefícios da Redenção; porque o nosso Evangelho não vos foi somente pregado com palavras, mas também com milagres, e (com a efusão) do Espírito Santo, e numa grande plenitude; bem sabeis como nos houvemos entre vós, por amor de vós. E vós vos fizestes imitadores nossos, e do Senhor, recebendo o Evangelho no meio de muita tribulação, com a alegria do Espírito Santo; de tal modo que vos tornastes modelo para todos os crentes, na Macedônia e na Acaia. Com efeito, por vós foi propagada a palavra do Senhor, não só pela Macedônia e pela Acaia, mas a toda a parte chegou a fé que tendes em Deus, de sorte que nós não temos necessidade de dizer coisa alguma. Porque os próprios fiéis publicam de nós qual foi a aceitação que tivemos entre vós, e como vos convertestes dos ídolos a Deus, para servirdes ao Deus vivo e verdadeiro, e esperardes do Céu a seu filho, (a quem Ele ressuscitou dos mortos), Jesus, o qual nos livrou da ira que há de vir.


Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 13, 31-35.

Naquele tempo: Contou Jesus à multidão esta parábola: “O reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e semeou no seu campo; o qual é, na verdade, a mais pequena de todas as sementes; mas, depois de ter crescido, é maior que todas as hortaliças, e faz-se arbusto, de sorte que as aves do céu vêm habitar nos seus ramos.” Disse-lhes ainda outra parábola: “O reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha, até a massa ficar toda fermentada.” Todas estas coisas disse Jesus ao povo, em parábolas; e não lhes falava senão em parábolas, a fim de que se cumprisse o que estava anunciado pelo Profeta, que diz: “Abrirei em parábolas a minha boca; revelarei coisas que tem estado escondidas desde a criação do mundo”.



Traduções das leituras extraídas do Missal Quotidiano por Pe. Gaspar Lefebvre OSB (beneditino da Abadia de Santo André) – Bruges, Bélgica: Biblica, 1963.


Comentário ao Evangelho do dia feito por
Beato John Henry Newman (1801-1890), presbítero, bispo e Cardeal, teólogo e fundador da Congregação do Oratório na Inglaterra
PPS, vol. 6, nº 20
– “The Visible Temple” (retirado do site da Diocese de Cruzeiro do Sul – acesso em 18/11/2012 às 12:00h – texto com adaptações)



Cristo, grão de mostarda e fermento semeado ao redor do mundo

Cristo veio a este mundo para o submeter a Si próprio, para o reivindicar como Seu, para afirmar os Seus direitos sobre ele como senhor, para o libertar do domínio usurpado pelo inimigo, para Se manifestar a todos os homens, para Se estabelecer nele. Cristo é o grão de mostarda que se desenvolverá silenciosamente, acabando por cobrir a terra inteira. Cristo é o fermento que abre secretamente caminho na massa dos homens, dos sistemas de pensamento e das instituições, até que tudo fique levedado. Até então, o céu e a terra estavam separados; o projeto de graça de Cristo consiste em fazer de ambos um só mundo, tornando a terra paralela ao céu.

Ele estava neste mundo desde o começo, mas os homens adoraram outros deuses. Ele veio a este mundo na carne, «mas o mundo não O conheceu. Veio ao que era Seu e os Seus não O receberam» (Jo 1, 10-11). Mas Ele veio para os levar a recebê-Lo, a conhecê-Lo, a adorá-Lo. Veio para integrar este mundo em Si, a fim de que, tal como Ele próprio é luz, também este mundo seja luz. Quando veio, não tinha «onde reclinar a cabeça» (Lc 9, 58), mas veio para constituir aqui um lugar para Si mesmo, para aqui constituir habitação, para aqui encontrar morada. Veio transformar o mundo inteiro na Sua morada de glória, este mundo que estava cativo das potências do mal.

Ele veio na noite, nasceu na noite escura, numa gruta. [...] Foi aí que primeiro repousou a cabeça, mas não o fez para aí permanecer para sempre. Não era Sua intenção deixar-Se ficar escondido nessa obscuridade. [...] O Seu objetivo era mudar o mundo. [...] O universo inteiro tinha de ser renovado por Ele, mas Ele a nada recorreu que já existisse, tudo criou a partir do nada. [...] Ele era uma luz que brilhava nas trevas, até que, pelo Seu próprio poder, criou um Templo digno do Seu nome.
11 de nov. de 2012

Domingo, 11/11/2012: Leituras e Comentário ao Evangelho



5º DOMINGO APÓS EPIFANIA – Transferido

2ª Classe - Paramentos Verdes 

Santos do dia: São Martinho de Tours (+ 397) [biografia aqui, aqui e aqui], São Menas, Mártir (+ 295-303) [biografia aqui]


Epístola de São Paulo Apóstolo aos Colossenses 3, 12-17.

Irmãos: Sendo vós escolhidos de Deus, santos e queridos, revesti-vos de entranhas de misericórdia, de benignidade, de humildade, de modéstia, de paciência; sofrendo-vos uns aos outros, e perdoando-vos mutuamente, se algum tem razão de queixa contra o outro, assim como o Senhor vos perdoou a vós, assim também vós deveis perdoar aos outros. Mas, sobre tudo isto, tende caridade, que é o vínculo da perfeição; e triunfe em vossos corações a paz de Cristo, à qual também fostes chamados para formar um só corpo; e sede agradecidos. Que a palavra de Cristo habite em vós abundantemente, de tal modo que vos instruais e admoesteis uns aos outros, em toda a sabedoria, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando, sob a ação da graça, em vossos corações, a Deus. Tudo o que fizerdes, em palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus Cristo, dando por Ele graças a Deus Pai.


Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 13, 24-30.

Naquele tempo: Propôs Jesus ao povo esta parábola: “O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo. Porém, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo, e semeou joio no meio do trigo, e foi-se. Tendo crescido a erva e dado fruto, apareceu então também o joio. Então os servos do pai de família foram ter com ele, e disseram-lhe: ‘Senhor, porventura não semeaste tu boa semente no teu campo? Donde veio, pois, o joio?’ E ele disse-lhes: ‘Foi o inimigo quem fez isto.’ Os servos disseram-lhe então: ‘Queres que vamos arrancá-lo?’ Ele respondeu-lhes: ‘Não; para se não dar o caso de acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo: Deixai crescer uma e outra coisa até à ceifa, que no tempo da ceifa direi aos segadores: colhei primeiramente o joio, e atai-o em molhos para o queimar; o trigo, porém, recolhei-o no meu celeiro.”


Traduções das leituras extraídas do Missal Quotidiano por Pe. Gaspar Lefebvre OSB (beneditino da Abadia de Santo André) – Bruges, Bélgica: Biblica, 1963.


Comentário ao Evangelho do dia feito por
Beato John Henry Newman (1801-1890), presbítero e bispo, fundador da Congregação do Oratório na Inglaterra
Sermões pregados em várias ocasiões, n°9, 2.6 (retirado do site Evangelho Quotidiano
– acesso em 11/11/2012 às 13:32h)


“Deixai um e outro crescer juntos, até à ceifa”

Há escândalos na Igreja, coisas repreensíveis e vergonhosas; nenhum católico poderá negá-lo. Ela sempre incorreu na censura e na vergonha de ser mãe de filhos indignos; ela tem filhos que são bons e tem muitos mais que são maus. [...] Deus poderia ter instituído uma Igreja pura; mas previu que o joio semeado pelo inimigo permaneceria com o trigo até à ceifa, até ao fim do mundo. Afirmou que a Sua Igreja seria semelhante a uma rede de pescador “que apanha toda a espécie de peixes”, que apenas são separados à noite (cf. Mt 13,47ss). Indo mais longe, declarou que os maus e os imperfeitos seriam em maior número que os bons, “porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos” (cf. Mt 22,14); e o Seu apóstolo diz que “aqueles que foram reservados segundo a escolha da graça, foram salvos” (cf. Rm 11,5). Percebe-se assim que, na história e na vida dos católicos, há sempre muito para servir os interesses dos contraditores. [...]

Mas não baixamos a cabeça com vergonha, escondendo o rosto entre as mãos: levantamos as mãos e o rosto em direção ao Redentor. “Assim como os olhos dos servos se fixam na mão dos seus senhores [...], assim também os nossos olhos estão postos no Senhor nosso Deus, até que Ele tenha piedade de nós” (cf. Sl 122,2). [...] Apelamos a Ti, justo juiz, pois és Tu que olhas para nós. Não fazemos caso dos homens enquanto Te tivermos [...], enquanto tivermos a Tua presença nas nossas assembléias, o Teu testemunho e a Tua aprovação no nosso coração.

5 de nov. de 2012

O Reinado Social de Nosso Senhor ocorre de forma visível, na Igreja Católica e em sua Hierarquia.

Homilia da Festa de Cristo Rei
Por Pe. Marcelo Tenório

Cristo Rei. Ilustração por René de Cramer.

A Santa Igreja celebra hoje a Solenidade de Cristo Rei das nações. O santo Evangelho mostra-nos Jesus, diante de Pilatos, afirmando-se Rei: “O meu Reino não é deste mundo. Aqueles que são da verdade ouvem a minha voz. Quem é pela verdade escuta a minha voz.” “Tu és rei?”, pergunta Pilatos. “Tu dizes de ti mesmo, ou alguém te falou que Eu sou rei?” 

Nosso Senhor afirma o seu reinado, a sua supremacia sobre o Céu e sobre a terra. Verdadeiramente Cristo é Rei das nações, de todos os povos. E o Seu trono é a cruz, assim Ele o quis. Por isso, a Epístola de São Paulo começa dando graças a Deus porque Nosso Senhor, pela Sua paixão, morte e ressurreição, ou seja, pelo Seu trono glorioso – a cruz – fez-nos dignos de participar da herança dos Santos na luz.

E este senhorio de Jesus está na Santa Igreja Católica, fora da qual ninguém poderá se salvar. O Reinado Social de Cristo é visível, porque resplandece na face da Igreja. Por isto, a Igreja é indestrutível. Enquanto alguns preconizam que a Igreja está se acabando, a nossa fé, as Sagradas Escrituras e o próprio Nosso Senhor nos colocam claramente a perenidade da Igreja, já anunciada em Gênesis: “Ela esmagará a tua cabeça.” A Virgem, a Mulher, a Senhora, a Mãe, a excelsa serva, esmagará a cabeça da serpente e dará, junto com Seu Filho, a vitória, o pleno esplendor da glória de Cristo, Rei das nações.

E este Reinado de Nosso Senhor acontece na visibilidade da Igreja, cujo múnus tríplice continua eficaz: o de governo, o de ensino e o de santificação. E é nestes três pontos, nesta tríplice coroa que aparece para nós, no aspecto da coroa de espinhos colocada pelos romanos, a tríplice coroa gloriosa: o Cristo que é Rei e que, portanto, ensina, governa, santifica seus filhos através da ação sacramental da Igreja. Esta ação sacramental passa pela Igreja – Corpo Místico de Cristo – sobretudo pela sagrada Hierarquia.

Portanto, Cristo reina visivelmente na pessoa de Seu Vigário na terra: o Santo Padre, o Papa, este chefe visível da Santa Igreja. Estar com o Papa é estar com Nosso Senhor: onde está Pedro, aí está Cristo. Logo, estar contra o Papa é não estar com Cristo; e, não estando com Cristo, não se está na Igreja. Enganam-se aqueles que querem ou teimam ser católicos, mas insistem em se separar do Papa; mesmo afetivamente apegados a ele, já não são mais católicos, estão fora da Igreja. É necessária esta adesão filial ao Santo Padre como princípio e fundamento da Igreja. É importantíssimo, para nós, na nossa catolicidade, não compreendermos um catolicismo desvinculado da sagrada Hierarquia, porque isso não existe. E isso tem nome: chama-se liberalismo prático. Há pessoas que permanecem em certas práticas religiosas católicas, mas totalmente desvinculadas da Hierarquia: não têm Paróquia nenhuma, não se submetem a nenhum Bispo legítimo e nem ao Papa... Não são católicos! Não recebem as graças necessárias porque estão na desobediência prática.

O nosso grande São Bento, em sua regra, fala sobre os gêneros de monges, e diz que o pior gênero de monges é o daqueles ditos vagantes, ou giróvagos. São monges que não se submetem a abade nenhum: vão por aqui hoje, amanhã estão ali, depois de amanhã estão acolá. É como se jogássemos milho às galinhas: elas vão para onde tivermos espalhado os grãos, mas elas não estão nem aqui, nem ali e nem acolá. São “católicos” sem Paróquia, são “católicos” que não se submetem a um Pároco nem a um Bispo legítimos (porque não os têm)... Enganam-se! Enganam-se achando que podem trilhar, crescer e ascender no caminho da espiritualidade reta e sadia. Enganam-se achando que podem viver no mundo da graça separados da Santa Igreja de Deus e de seu princípio e fundamento (o Papa), apartados do Bispo diocesano. É um engano terrível, um engano do demônio! São para essas pessoas que Nosso Senhor falou: “...para que, vendo, não enxerguem e para que, escutando, não entendam.”

A Festa de Cristo Rei deve nos levar ao coração da Igreja, e nos unir na sua visibilidade: Cristo é Rei e continua reinando e governando através da Igreja Una, Santa Católica e Apostólica; através do Santo Padre, o Papa; através dos Bispos legítimos e em comunhão com o Papa; através da Paróquia, da paroquialidade. Não existem católicos sem paroquialidade. Um católico que não se submete a Pároco nenhum nem a Bispo nenhum é pior que os monges giróvagos de que São Bento falava. A Festa de Cristo Rei deve nos levar para o coração da Igreja, para o coração do Santo Padre. Sem isto, é impossível haver catolicidade; sem isto, impossível haver salvação.

Ao olharmos a vida de todos os Santos, vemos que todos eles nutriam uma profunda veneração e adesão de amor pelo Papa e pelo seu Bispo local. Olhemos para Padre Pio: quantas injustiças sofreu, sobretudo as de seu Bispo iníquo dos anos 1920 e que depois chegou a ser deposto pelo Santo Ofício; mas Padre Pio ficou firme na obediência, porque reconhecia naquele Bispo a figura do próprio Cristo, mesmo que o Bispo não fosse santo quanto deveria. Lembremo-nos de Santa Teresinha, que apelou ao Bispo de Roma a fim de entrar no Carmelo aos quinze anos. Lembremo-nos de São Francisco de Assis, que, amigo da pobreza, e mesmo que Inocêncio III lhe beijasse os pés, foi até este Papa para entender, compreender aonde ele, Francisco, “possivelmente teria errado”. Todos os Santos, dos mais eminentes aos menos notados, se dobraram diante da autoridade do Papa. E nenhum santo foi nada sem esta adesão filial e afetiva ao Santo Padre. São nada aqueles vagantes que pretendem estar em comunhão eucarística na Missa, mas não estão em comunhão alguma com a Igreja visível e com a sagrada Hierarquia. Que este pecado grave não caia sobre nós! Que este ato temerário não esteja sobre nossas costas! Sobretudo aqui em nossa Paróquia: esta é a casa do Papa, esta é a casa do Bispo diocesano, e aqueles que não estão em comunhão nem com o Papa nem com o Bispo diocesano aqui não têm lugar e nem são bem-vindos.

Nesta Festa de Cristo Rei das nações, ao olharmos para a Sagrada Hóstia a elevar-se, peçamos ao Senhor a graça de permanecermos firmes e unidíssimos à Santa Igreja de Deus e à sua sagrada Hierarquia, para que Cristo verdadeiramente reine em nossos corações, e que Seu Reinado Social assim se estabeleça em nossa terra através da nossa submissão visível aos nossos pastores legítimos. Assim seja.

Homilia proferida em 28 de outubro de 2012.