TEMPO PER ANNUM - APÓS PENTECOSTES

(22 de maio a 26 de novembro de 2016)

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16h - Santa Missa

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Nossa Sr.ª das Graças


Ave Maria, gratia plena;
Dominus tecum:
benedicta tu in mulieribus,

et benedictus fructus
ventris tui Iesus.

Sancta Maria, Mater Dei
o
ra pro nobis peccatoribus,
nunc et in hora
mortis nostrae.

Amen.

Nosso Padroeiro


Sancte Sebastiáne,
ora pro nobis.

Papa Francisco


℣. Orémus pro Pontífice nostro Francísco.
℟. Dóminus consérvet eum, et vivíficet eum, et beátum fáciat eum in terra, et non tradat eum in ánimam inimicórum ejus.
℣. Tu es Petrus.
℟. Et super hanc petram ædificábo Ecclésiam meam.
℣. Oremus.
Deus, ómnium fidélium pastor et rector, fámulum tuum Francíscum, quem pastórem Ecclésiæ tuæ præésse voluísti, propítius réspice: † da ei, quǽsumus, verbo et exémplo, quibus præest, profícere: * ut ad vitam, una cum grege sibi crédito, pervéniat sempitérnam. Per Christum, Dóminum nostrum.
℟. Ámen.

Dom Dimas Barbosa


℣. Orémus pro Antístite nostro Dismas.
℟. Stet et pascat in fortitúdine tua Dómine, sublimitáte nóminis tui.
℣. Salvum fac servum tuum.
℟. Deus meus sperántem in te.
℣. Orémus.
Deus, ómnium fidélium pastor et rector, fámulum tuum Dismam, quem pastórem Ecclésiæ Campigrandénsis præésse voluísti, propítius réspice: † da ei, quǽsumus, verbo et exémplo, quibus præest, profícere: * ut ad vitam, una cum grege sibi crédito, pervéniat sempitérnam. Per Christum, Dóminum nostrum.
℟. Amen.

Pe. Marcelo Tenório


"Ó Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, conservai os vossos sacerdotes sob a proteção do Vosso Coração amabilíssimo, onde nada de mal lhes possa suceder.

Conservai imaculadas as mãos ungidas, que tocam todos os dias vosso Corpo Santíssimo. Conservai puros os seus lábios, tintos pelo Vosso Sangue preciosíssimo. Conservai desapegados dos bens da terra os seus corações, que foram selados com o caráter firme do vosso glorioso sacerdócio.

Fazei-os crescer no amor e fidelidade para convosco e preservai-os do contágio do mundo.

Dai-lhes também, juntamente com o poder que tem de transubstanciar o pão e o vinho em Corpo e Sangue, poder de transformar os corações dos homens.

Abençoai os seus trabalhos com copiosos frutos, e concedei-lhes um dia a coroa da vida eterna. Assim seja!
"

(Santa Teresinha do Menino Jesus)

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29 de jan. de 2015

Santo do Dia - Quinta-Feira, 29/01/2015



SÃO FRANCISCO DE SALES
(29 de janeiro)

 
São Francisco, o grande apóstolo do seu tempo, modelo perfeito de santidade, protótipo de Bispo e sacerdote, nasceu em 1567, no castelo de Sales, próximo a Aneci, na Savoia. Os pais eram de alta nobreza e muito religiosos. Antes do nascimento do filho já o tinham consagrado a Deus. A mãe, Francisca, pedira a Deus que antes a privasse do prazer de ser mãe do que permitir que desse à luz uma criança que tivesse a infelicidade de ser um inimigo do seu Criador. A condessa velou com o máximo cuidado pela educação do filho, que, apesar do nascimento prematuro e da constituição fraquíssima, se desenvolveu admiravelmente. O menino ia com ela à igreja, e pela palavra e exemplo, implantou ela no coração do filhinho profundo respeito à casa de Deus, amor à oração e ao culto divino. Frequentemente lhe fazia uma leitura da vida dos Santos, condimentando-a com instruções adequadas. Francisco devia acompanhá-la até nas visitas que fazia aos pobres e doentes e era ele quem dava as esmolas aos necessitados. Com uma docilidade admirável o menino aceitou as medidas educativas da mãe. De tenra idade ainda, já era amigo da oração, sincero no falar e agir, e compassivo com os que sofrem.

Tendo chegado o tempo do menino entregar-se aos estudos, houve divergência entre os pais. Enquanto a mãe, receosa de expor o filho a perigos espirituais, opinava dever ministrar-lhe o ensino em casa, e para este fim tratar professores particulares, o conde era de opinião que Francisco devia fazer os estudos num colégio no meio de companheiros da mesma idade. Bem sabia que o estímulo muito favorece o progresso nas ciências. Tendo seis anos, Francisco frequentou o colégio de Rocheville, e mais tarde o de Aneci. Os professores ficaram admirados do talento privilegiado do aluno. No meio dos trabalhos escolares, Francisco não se esquecia das práticas religiosas. Oração e leitura espiritual eram-lhe companheiros inseparáveis. Bastante preparado nas matérias propedêuticas, era da vontade do pai que Francisco seguisse para Paris, com o fim de completar os estudos. Diante da separação do filho, a condessa redobrou de esforços para confirmá-lo na prática das virtudes. Mais do que nunca lhe recomendou o amor de Deus, a oração, a fuga do pecado e das más ocasiões. Muitas vezes lhe dizia: “Meu filho, prefiro ver-te morto a saber um dia que cometeste um pecado mortal”.

Em companhia de um sacerdote, a quem o cuidado paternal o tinha confiado, foi Francisco para a Capital. Algum tempo estudou retórica e filosofia no Colégio dos Jesuítas. Mais tarde frequentou a academia, onde praticou os exercícios de equitação, esgrima e dança, exercícios estes que fazia não por inclinação, mas para obedecer à vontade do pai. Além disto dedicou-se ao estudo das línguas orientais e da teologia. Terminados os cursos em Paris, por ordem do pai seguiu para Pádua, onde devia ainda estudar direito civil e eclesiástico. Em todos os lugares Francisco se distinguiu vantajosamente entre os companheiros e embora, de gênio forte e impetuoso, para todos era modelo de virtude. Para se conservar no meio de tantos perigos o jovem estudante recebia semanalmente a santa Comunhão e em Paris, na igreja de Santo Estevão, fez, em honra de Nossa Senhora, o voto de castidade perpétua. Este mesmo voto mais tarde ele o renovou no Santuário de Loreto e guardou-o fielmente até o fim da vida. Sem que o soubesse, aconteceu certa vez, que se encontrasse na casa de uma pecadora. Mal, porém, percebeu quais eram as intenções da mulher, cuspiu-lhe na cara e fugiu.

Não com tanta facilidade pôde desvencilhar-se das tentações com que o demônio o atormentava. A paz que até então o acompanhara deu lugar à tristeza, a uma aridez quase insuportável. Por fim martirizou-o a idéia de estar abandonando Deus, de não poder salvar uma só alma. As orações, mortificações e práticas de piedade figuravam-se-lhe meros recursos de hipocrisia e de nenhum  valor. Estes tormentos interiores influíram-lhe desfavoravelmente na saúde. Perdeu o apetite, a boa disposição, o sono e o bom humor. Por entre lágrimas e suspiros queixou-se a Deus de sua triste sorte. (...)

Também esta tempestade passou e Deus se dignou de livrar seu servo do pesadelo, que o oprimia. Um dia Francisco entrou numa igreja, onde avistou uma imagem de Nossa Senhora. Debaixo da imagem leu a oração de São Bernardo: “Lembrai-vos, ó piíssima Virgem Maria,...”. Estas palavras foram-lhe um bálsamo para o coração. Prostrado de joelhos, recitou com muito fervor a mesma oração, renovou o voto de castidade (...) Feita esta oração, Francisco entregou-se sossegadamente à Divina Providência, e desde aquele dia, cessaram as insídias e perturbações diabólicas e tornou a voltar-lhe a paz e tranqüilidade, e com ela a saúde do corpo. Grato a Maria Santíssima, o Santo devotou-lhe ainda mais amor e não cessou de proclamar-lhe a grandeza, o poder e misericórdia.

Por vontade do pai, Francisco, terminado os estudos, voltaria para a terra natal, assumiria o cargo de senador de Chambery e unir-se-ia em casamento a uma fidalga da casa de Savoia.  Francisco manifestou então o desejo de ordenar-se, resolução para a qual solicitou o consentimento dos pais. Conseguiu-o com muita dificuldade e depois de longa resistência. O Bispo Cláudio, de Genebra, administrou-lhe o sacramento da Ordem e do Papa recebeu a nomeação de preboste (cargo similar ao Vigário Geral do Bispo) da Igreja de Genebra.

Incumbido pelo Prelado da pregação de missões nas regiões do bispado, onde a heresia calvinista conseguira tomar pé, o neoprebístero dedicou-se à obra com todo o ardor. Incalculáveis eram os sacrifícios, perigos, até perseguições que encontrou no desempenho desta missão. Os hereges, vendo-se atacados com vigor, votaram ódio ao missionário e planejaram-lhe a morte. Deus, porém, protegeu seu ministro e este levou a obra da conversão dos hereges para dentro da cidade de Genebra. Corajosamente se dirigiu ao chefe do Calvinismo Beza convidando-o a abjurar o erro. Beza convenceu-se da verdade da Igreja Católica, mas não se animou a voltar para a casa paterna. Melhor resultado teve em outros lugares. Setenta e dois mil calvinistas abandonaram a seita e voltaram para o seio da Igreja Católica.

Pela morte do Bispo Cláudio, a administração da diocese passou para Francisco. A nova dignidade fez ressaltar ainda mais as virtudes do jovem Prelado. Impelido por um zelo verdadeiramente apostólico, Francisco visitou a pé toda a diocese, visto que o Conselho da cidade tinha-lhe cortado todas as subvenções. Aos fiéis exortava à perseverança e a prática do bem; aos hereges com paciência e mansidão, mostrava-lhes os erros, e em toda a parte estabelecia o culto da Igreja Católica. Mais de uma vez convidou os mais eminentes oradores do Calvinismo para uma discussão pública; porém nenhum deles teve a coragem de medir-se com o Bispo católico, conhecendo-lhe a força de argumentação.

Nas horas vagas escreveu belíssimos livros religiosos, que têm sido e até hoje são muito apreciados. Fundou, junto com Santa Joana Francisca de Chantal, a Ordem da Visitação de Nossa Senhora, uma Ordem religiosa feminina contemplativa, que teve a aprovação apostólica e grata aceitação achou entre o povo católico.

Durante vinte anos tinha dirigido os destinos da diocese, e grandes foram os merecimentos de sua hábil e prudente administração, quando Deus houve por bem chamar o fiel servo à eterna recompensa. Negócios urgentes requereram a presença do Bispo em Lyon, durante os dias de Natal, quando lhe sobreveio uma grave doença. Teve uma congestão cerebral, que lhe paralisou os membros, menos a língua. Entre os primeiros que o visitaram, achavam-se os Padres Jesuítas, aos quais disse: “Estais me vendo num estado, em que de nada preciso, a não ser da misericórdia divina. Peço que m’a alcanceis pela vossa oração”. Perguntado por um deles se estaria pronto a sujeitar-se à vontade de Deus, se ele lhe determinasse a morte, respondeu: “É bom esperar no Senhor: Para mim aquela hora é como qualquer outra. Deus é o Senhor. Que Ele de mim faça o que bem parecer. Nunca tive vontade diferente da sua”. Dito isto, fez a profissão da fé, na presença de muitas pessoas, para assim testemunhar, que sempre viveu na fé católica e nela queria morrer. Os santos Sacramentos recebeu-os com muita devoção. Durante os dias da doença permaneceu em contínua oração. (...) Quando entrou em agonia, os circunstantes, de joelhos, rezaram a ladainha de Todos os Santos. À invocação: “Santos Inocentes, rogai por ele”, Francisco exalou sua bela alma. Era o dia 28 de dezembro de 1622. O Santo tinha chegado à idade de 56 anos.

O coração do santo Bispo foi solenemente transportado para o convento da Visitação em Lyon; o corpo descansa no convento da mesma Congregação em Aneci. Os milagres com que Deus glorificou o túmulo do seu servo, são numerosos. O próprio Papa Alexandre VII, que em 1665 inseriu o nome de Francisco no catálogo dos Santos, por intercessão do mesmo ficou livre de um mal incurável. A bula da canonização enumera, entre os milagres provados e documentados, a cura de um cego de nascimento, de quatro paralíticos e a ressurreição de dois mortos. Em 1923 foi declarado Doutor da Igreja e Padroeiro da Imprensa e dos jornalistas católicos.

No Calendário Litúrgico antigo, é comemorado a 29 de janeiro, um dia depois da data de sua morte.

(Texto extraído de “Na Luz Perpétua”, por Pe. J. B. Lehmann,
e disponível na Página Oriente, acréscimos a/c blog)

28 de jan. de 2015

Santos do Dia - Quarta-Feira, 28/01/2015 - 2ª Parte



SANTA INÊS (2ª Festa)
(28 de janeiro)


A Liturgia Romana Tradicional conservou uma segunda festa de Santa Inês. Deve ser a sobrevivência de uma antiga Oitava.

(com informações do Missal Romano
Quotidiano, de D. Gaspar OSB)

NOTA: Para ler a biografia de Santa Inês, clique aqui.

Santos do Dia - Quarta-Feira, 28/01/2015 - 1ª Parte



SÃO PEDRO NOLASCO
(28 de janeiro)

Visão de São Pedro Nolasco. Pintura a óleo de 1629, por Francisco 
Zurbarán, atualmente no Museu do Prado, Madri/Espanha.

São Pedro Nolasco nasceu em 1190. Os pais constatavam, com muita satisfação, que ao desenvolvimento físico do filho correspondia igual progresso moral. Era admirável a terna compaixão que Pedro, criança ainda, revelava pelos pobres. O aspecto da miséria causava-lhe tanta tristeza que os pais, querendo consolá-lo, haviam de dar-lhe esmolas para os pobres. Mais tarde, quando estudante, repartia com os pobres tudo que dos pais recebia. Com o maior cuidado guardava o tesouro da pureza do coração, e todo o seu desejo era poder servir a Deus do modo mais perfeito. Daí a fuga de tudo que pudesse desagradar a Deus ou ser um perigo para a sua alma. Ao perder o pai, tinha 15 anos de idade, e a mãe, desejando ter uma auxiliar no governo da casa, insistiu com Pedro para que estabelecesse família. Este se opôs terminantemente, e mais ainda: fez os votos de castidade e de pobreza, com o propósito de repartir os bens entre os pobres.

A França, naquela época, estava tomada por sérias desordens que infestavam todo o território sul, dentre as quais os abusos dos albigenses (facção maniqueísta que alastrou-se pelo país). Para evitar qualquer contato com os hereges, Pedro associou-se ao conde Simão de Monfort, comandante do Exército Católico. Com ele mudou-se para a Espanha, onde lhe foi confiada a educação do príncipe Jaime de Aragão.

Ofereceu-se-lhe então oportunidade de observar a tristíssima sorte dos cristãos que tiveram a infelicidade de cair no poder dos muçulmanos, que corriam grande perigo de perder a fé. Diante disto, Pedro aplicou toda a sua fortuna no resgate daqueles infelizes, mas como a quantidade de escravos era enorme, acabou tendo de recorrer à caridade de outras pessoas que, caridosamente, contribuíram com elevadas somas para a redenção dos pobres cativos.

Em 01 de agosto de 1223, Pedro teve uma revelação da Santíssima Virgem, a qual mostrando grande satisfação pelo bem que fizera aos cristãos, deu-lhe a ordem de fundar uma congregação com o fim determinado da redenção dos cativos. Pedro comunicou este fato a São Raimundo de Penaforte, seu confessor, e ao Rei Jaime, e grande surpresa teve quando deles soube que ambos, na mesma noite, haviam tido a mesma aparição. Tendo assim tão claramente a revelação da vontade divina, Pedro sem demora pôs mãos à obra e emitiu os três votos, de pobreza, castidade e obediência, acrescentando o quarto, de sacrificar os bens e a própria liberdade, se necessário fosse, pela redenção dos cativos. Do bispo Berengário, de Barcelona, recebeu estes seus votos.

O dominicano São Raimundo de Penaforte, por sua vez, organizou as constituições da regra da nova ordem, e impôs a Pedro o hábito, nomeando-o primeiro Superior. A nova instituição teve gratíssimo acolhimento da parte do povo e, com Raimundo, mais dois fidalgos receberam o hábito. A nova regra obteve, já em 1235, a aprovação da Santa Sé. Durante o espaço de trinta e um anos, São Pedro Nolasco dirigiu os destinos da Ordem, e por milhares contaram-se os cristãos que lhe deveram a libertação do cativeiro mourisco.

Grande desejo tinha tinha de visitar o túmulo do apóstolo São Pedro, a quem dedicava especial devoção. Quando, na hora das matinas, apresentou a Deus o pedido de ver realizado esse desejo, apareceu-lhe São Pedro, fazendo-lhe ver que não era a vontade de Deus que fizesse aquela viagem. Pedro contentou-se inteiramente com esta resposta.

Os últimos anos de sua vida foram-lhe amargurados pela impossibilidade de trabalhar. Sentindo-se ao fim da peregrinação terrena, reuniu todos os religiosos de sua Ordem para lhes dar os últimos conselhos e a bênção. As últimas palavras que disse, foram: "Eu vos louvarei, Senhor, porque a salvação trouxestes ao povo".

São Pedro Nolasco morreu em 25 de dezembro de 1256. No Calendário Romano Tradicional, é comemorado em 28 de janeiro, mesma data que os religiosos da Ordem dos Mercedários adotam para festejar seu Santo Fundador.

(Texto extraído de “Na Luz Perpétua”, por Pe. J. B. Lehmann,
e disponível na Página Oriente, acréscimos a/c blog)

27 de jan. de 2015

Santo do Dia - Terça-Feira, 27/01/2015



SÃO JOÃO CRISÓSTOMO
(27 de janeiro)

 
No que pese o dia da morte de São João Crisóstomo seja 13 de setembro, no Calendário Litúrgico antigo ele é festejado a 27 de janeiro, data de trasladação de suas relíquias do exílio para Constantinopla.

Crisóstomo, descendente de família distinta, nasceu em 348 em Antioquia, na Síria. O pai Segundo, que era comandante das tropas imperiais no Oriente, morreu cedo, deixando a educação do filhinho aos cuidados da excelente esposa, Antusa. Mestres de fama mundial, como Libânio e Antragácio, introduziram o menino talentoso nos arcanos da ciência, e Diodoro de Tarso foi seu instrutor em matéria de religião. O Bispo Melécio batizou-o em 368 conferindo-lhe na mesma ocasião as ordens menores. Já neste tempo Crisóstomo manifestou grande inclinação para a vida de asceta, e se não fosse a resistência enérgica da mãe, teria se associado aos eremitas do deserto.

Quando em 373, sendo-lhe já bastante conhecidos o talento e a santidade, e o povo, exigindo sua elevação à dignidade episcopal, João fugiu para junto dum monge, em cuja companhia viveu quatro anos, e depois para uma gruta, onde ficou dois anos, dedicando-se exclusivamente às práticas da vida religiosa, com suas austeridades, e aos estudos dos Sagrados Livros.

Como a saúde se lhe abalasse com a rudeza da vida no deserto, voltou para Antioquia, onde se ordenou em 386. Em Antioquia desenvolveu logo uma atividade muito grande, como escritor e orador sacro, de onde lhe foi dado o apelido de Crisóstomo (boca de ouro) pelos bizantinos.

Esta sua estada em Antioquia coincidiu com uma grave revolta que houve contra o imperador, por causa de impostos. O povo despedaçou estátuas do imperador, do irmão, de dois filhos e da falecida imperatriz Flavila e deixou-se arrastar a outros atos de vandalismo. Era para temer uma terrível represália da parte do imperador Teodósio I, cujo  gênio irascível era bastante conhecido. O bispo Flaviano dirigiu-se para Constantinopla, para aplacar a ira do monarca. Em Antioquia reinava o pavor. Muitas famílias tinham fugido; os membros do senado estavam na prisão e o povo tremia, na expectativa de medidas ainda mais rigorosas. Foi a época em que a arte retórica de Crisóstomo celebrou os mais belos triunfos. Dia por dia via-se as multidões do povo desesperado ao redor do púlpito, ávidos de ouvir-lhes as práticas e ensinamentos que as consolavam. A palavra de João Crisóstomo sugestionava, continha as massas e levava-as por onde quisesse. O entusiasmo dos ouvintes chegou ao auge, quando lhes transmitiu a notícia do perdão e anistia que o imperador tinha concedido à cidade, em atenção ao pedido do Bispo e à petição que o mesmo tinha apresentado, em nome de Crisóstomo e da população arrependida.

A fama da grande eloquência de Crisóstomo tinha-se espalhado em todo o Oriente e quando, em 397, morreu o patriarca  de Constantinopla, Nectário, o imperador Arcádio, filho de Teodósio, chamou Crisóstomo para ocupar-lhe o lugar. Foi preciso toda a habilidade e prudência da parte do imperador para conseguir o consentimento do seu candidato. A nomeação de João Crisóstomo para Constantinopla causou grande descontentamento em Alexandria, cujo patriarca, Teófilo, levantou enérgico protesto contra a decisão imperial. Não obstante, impôs as mãos ao novo Patriarca.

Da vida simples e pacata de Antioquia, viu-se João Crisóstomo transportado para a cidade da riqueza, do luxo, para a grande metrópole, a sede da alta política, com suas intrigas e paixões, para Constantinopla, a rainha do Oriente que, com seus palácios magníficos e Igrejas majestosas, dominava dois continentes. O novo Patriarca teve um acolhimento simpático da parte do clero, da aristocracia e da população inteira. Antes de tomar efetivamente as rédeas do governo da diocese, Crisóstomo procurou conhecer bem o terreno em que pisava. Em condições tão diferentes das de Antioquia, diferente se lhe afigurou o novo campo de atividade. O clero de Constantinopla, em sua maioria, estava pouco compenetrado da sublimidade de sua missão. Ambicioso, avarento e político, pouco tinha do espírito de Cristo, que é o espírito da humildade, de caridade e de sacrifício. Em rente de tais circunstâncias, Crisóstomo compreendeu, que sua atividade não mais se imitaria à pregação da palavra de Deus, mas haveria de encetar a obra da reforma em base larga e inevitável: seria a luta e talvez a perseguição.

Fiel ao seu costume, pregava as homilias dominicais e explicava a Sagrada Escritura. A majestosa “Hagia Sophia”, aquele grandioso monumento da fé católica em Constantinopla, enchia-se de fiéis de todas as classes, para ouvir a palavra arrebatadora e apostólica do novo Antístite.

Mais importante, mais penosa e desagradável impunha-se-lhe a obra da reforma. Esta começou em casa. O antecessor, Nectário, de espírito pouco evangélico, tinha feito do palácio episcopal um reduto do luxo, com todas as futilidades e comodidades. João Crisóstomo estabeleceu nele a vida evangélica, com toda simplicidade e decência. O segundo passo na reforma interessou a vida do clero e das religiosas, as quais em grande parte conviviam com os sacerdotes, o que mereceu a crítica do povo, e a censura e proibição do Patriarca. O zeloso pastor verberou outrossim os excessos da moda, principalmente o luto “chique” das viúvas, e procurou implantar no povo a simplicidade dos costumes e o espírito de fé. As obras da caridade, a administração dos bens eclesiásticos, a elevação do clero na roça, a contra-propaganda contra os arianos residentes na cidade enfileirados no exército, eram coisas mui importantes, a que o Patriarca dedicou todas as energias. Todas estas reformas criaram-lhe muita inimizade. Mormente entre o clero. Era inevitável o choque.

O primeiro veio-lhe da parte de Eutrópio, eunuco e grande protegido do imperador Arcádio. Eutrópio, na sua sede insaciável de ouro e para poder apoderar-se das suas vítimas, tinha obrogado o direito de asilo. Crisóstomo protestou contra esta arbitrariedade, tendo pouco tempo depois a grande satisfação de ver o mesmo Eutrópio invocar em seu favor o direito do asilo, quando numa revolta militar viu sua vida em perigo.

Terrível inimiga, com que Crisóstomo teve de terçar armas, surgiu-lhe na própria pessoa da imperatriz Eudóxia, que depois do afastamento de Eutrópio, governava o imperador. Dum despotismo sem par, era Eudóxia ainda muito avarenta, e esta paixão que inteiramente a dominava, fê-la cometer clamorosas injustiças.

Todos conheciam o modo de pensar de João Crisóstomo. Como não faltassem elementos vis, cujo maior interesse era semear cizânia e incitar os espíritos um contra o outro, puseram no ouvido do imperador muitas coisas que o inimizaram com o Patriarca. Disseram-lhe que, numa prática contra as modas escandalosas, João Crisóstomo se tinha referido ao mau exemplo de Eudóxia; em outra ocasião a tinha apelidado de Jezabel, para apostrofar-lhe a crueldade e a ambição. As relações portanto entre a família imperial, em particular entre Eudóxia e o Patriarca, não eram menos que cordiais. O rompimento, porém, se realizou quando João Crisóstomo deu agasalho (aliás com a necessária cautela) a monges que o Patriarca Teófilo de Alexandria tinha expulso de sua diocese, por suspeitar de sua ortodoxia.

Eudóxia alcançou de Arcádio que convocasse um concílio em Constantinopla, perante o qual Teófilo havia de justificar as medidas tomadas contra os monges em questão. Clandestinamente, porém, mandou convidar a Teófilo para que viesse com a maior brevidade, e declarasse vaga a sede patriarcal de Constantinopla. Teófilo chegou a Constantinopla, em companhia de vários bispos, desafetos de João Crisóstomo, não, porém, como acusado, mas como acusador e juiz. O concílio realizou-se em Calcedônia, estando presentes 36 bispos. João Crisóstomo, sendo citado perante aquele tribunal, exigiu por sua vez a exclusão de 4 bispos, notadamente seus inimigos. O concílio reconheceu nesta exigência um ato de insubordinação da parte do acusado, e declarou-o deposto da dignidade de Patriarca.

Característico em todo este processo foi que nem de leve se tocou na questão dos monges, expulsos de Alexandria e aceitos em Constantinopla; mas tanto mais se tratou de supostas ofensas, que João Crisóstomo teria dirigido ao imperador e à imperatriz. O Santo não se opôs à injustiça que lhe fizeram, e entregou-se ao agente executivo, que o devia levar ao exílio. No caminho do Bósforo o povo lhe fez delirantes manifestações, tomando assim a sua saída da capital o caráter dum triunfo nunca visto. Na noite que seguiu a partida, a população de Constantinopla foi atemorizada por um forte terremoto. A própria imperatriz, profundamente impressionada com este fenômeno, pediu ao imperador revogação do edito contra João Crisóstomo. A atitude do povo contra o imperador tornou-se tão ameaçadora que João Crisóstomo pôde voltar, sem esperar nova determinação dos bispos.

De pouca duração, porém, foi a paz. No mesmo ano se inaugurou perto da Igreja um monumento, que apresentava uma estátua de Eudóxia. Por esta ocasião a aglomeração do povo foi tamanha, que chegou a perturbar a celebração dos atos litúrgicos no templo. O Patriarca pediu providências ao prefeito, reclamando contra os abusos que se praticavam. A reclamação foi interpretada maliciosamente, como se o Patriarca tivesse protestado contra a existência do monumento. Mal Eudóxia teve conhecimento do fato, logo se dirigiu de novo a Teófilo, pedindo-lhe a intervenção. Este, dispensando triunfos pessoais em Constantinopla, limitou-se a citar as determinações ainda em vigor do concílio de Calcedônia. Embora este concílio nenhum valor tivesse, o imperador proibiu ao Patriarca o uso de ordens e mandou fechar o palácio episcopal.

Não obstante, João Crisóstomo entrou pela Páscoa na Catedral, para administrar o batismo aos catecúmenos, que ele mesmo tinha preparado. Força armada penetrou no templo e dispersou a multidão dos fiéis. Chegou o dia de Pentecostes, e com ele o decreto imperial que condenava o Patriarca ao exílio. João Crisóstomo, despedindo-se dos fiéis e dedicados amigos, abandonou secretamente a capital, para evitar um segundo levantamento do povo. Sua saída de Constantinopla desta vez foi definitiva. Escoltado por soldados da força pública, João Crisóstomo foi para o exílio, sem saber para onde o levariam. Algum tempo ficou em Niceia, onde desenvolveu uma atividade considerável na conversão de pagãos. Comunicaram-lhe que Cucusu seria o último lugar do seu desterro, e para lá seria deportado.

A viagem foi penosíssima e chegou a ser um verdadeiro martírio para o pobre exilado. Chegando a Cesareia na Capadócia, os próprios bispos negaram-lhe agasalho, e monges fantasiados atacaram-lhe a casa. Não havia quem lhe quisesse dar hospedagem, de modo que é verdade o que João queixa numa carta, dizendo que sofre mais que os criminosos nas minas e nas prisões.

Finalmente, após uma viagem de 70 dias, cheia de peripécias e perigos, chegou a Cucusu, na Armênia. Apesar de ser o “lugar mais ermo do mundo” (expressão de João Crisóstomo), a permanência lá não lhe foi tão desconfortada como se podia supor. Tendo sempre comunicação com os amigos de Constantinopla, estes o beneficiaram também no exílio. Até de Antioquia recebia cartas e visitas. Sofrimentos e grandes provações não lhe faltaram. A saúde ressentiu-se muito, com o clima áspero e irregular de Cucusu. Bandos isáuricos devastaram diversas vezes aquela região e obrigaram os habitantes a refugiar-se nas grutas e montanhas. Fugindo destes inimigos, João Crisóstomo procurou abrigo num castelo fortificado em Arabisso.

Os amigos do Santo em Constantinopla passaram por um grande vexame, e tornou-se-lhes bem crítica a situação. Logo depois da saída de João Crisóstomo, houve dois grandes incêndios, que destruíram a grande catedral, algumas casas contíguas e o palácio do Senado. Os inimigos do Patriarca inculparam os partidários de João Crisóstomo de terem sido eles os causadores destes desastres, e abriram forte campanha contra eles. Ambas as partes apelaram para o Papa Inocêncio I. A sentença do sumo Pontífice desagradou profundamente aos adversários de João Crisóstomo, pois Inocêncio I declarou-se em favor destes contra o conciliábulo de Calcedônia, e fez a proposta de apresentar a questão a outro concílio, o qual, porém, não se realizou devido à má vontade de Arcádio.

Tendo conhecimento das comunicações que havia entre João Crisóstomo e Constantinopla e Antioquia, o imperador ordenou-lhe a transferência para Pitio, na margem oriental do Mar Negro. O organismo do Santo, já bastante depauperado e combalido, não mais resistiu às fadigas desta forçada viagem de três meses. Quase sem forças chegou a Comana, onde pernoitou na igreja de São Basílio, do qual em sonho ouviu dizer-lhe as seguintes palavras: “tenha ânimo, irmão, o dia de amanhã nos unirá”. No dia seguinte, 14 de setembro de 407, entrou no eterno descanso. As últimas palavras que disse foram: “Louvado seja Deus por tudo. Amém”.

O cisma terminou só com a morte de Arcádio, Eudóxia e Teófilo. Teodósio II, filho e sucessor de Arcádio, cumpriu a ordem do Papa de restabelecer a honra do Patriarca injustamente exilado. A transladação do corpo de São João Crisóstomo para Constantinopla, em 27 de janeiro de 438, revestiu-se de uma pompa como igual a cidade não tinha visto ainda. As relíquias de São João Crisóstomo acham-se hoje em Roma, na igreja do Vaticano.

(Texto extraído de “Na Luz Perpétua”, por Pe. J. B. Lehmann,
e disponível na Página Oriente, acréscimos a/c blog)