TEMPO PER ANNUM - APÓS PENTECOSTES

(22 de maio a 26 de novembro de 2016)

Horários de Missa

CAMPO GRANDE/MS
Paróquia São Sebastião


DOMINGO
16:30h - Confissões
17h - Santa Missa

TERÇA A SEXTA-FEIRA
(exceto em feriados cívicos)
11h - Santa Missa

1º SÁBADO DO MÊS
16h - Santa Missa

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Nossa Sr.ª das Graças


Ave Maria, gratia plena;
Dominus tecum:
benedicta tu in mulieribus,

et benedictus fructus
ventris tui Iesus.

Sancta Maria, Mater Dei
o
ra pro nobis peccatoribus,
nunc et in hora
mortis nostrae.

Amen.

Nosso Padroeiro


Sancte Sebastiáne,
ora pro nobis.

Papa Francisco


℣. Orémus pro Pontífice nostro Francísco.
℟. Dóminus consérvet eum, et vivíficet eum, et beátum fáciat eum in terra, et non tradat eum in ánimam inimicórum ejus.
℣. Tu es Petrus.
℟. Et super hanc petram ædificábo Ecclésiam meam.
℣. Oremus.
Deus, ómnium fidélium pastor et rector, fámulum tuum Francíscum, quem pastórem Ecclésiæ tuæ præésse voluísti, propítius réspice: † da ei, quǽsumus, verbo et exémplo, quibus præest, profícere: * ut ad vitam, una cum grege sibi crédito, pervéniat sempitérnam. Per Christum, Dóminum nostrum.
℟. Ámen.

Dom Dimas Barbosa


℣. Orémus pro Antístite nostro Dismas.
℟. Stet et pascat in fortitúdine tua Dómine, sublimitáte nóminis tui.
℣. Salvum fac servum tuum.
℟. Deus meus sperántem in te.
℣. Orémus.
Deus, ómnium fidélium pastor et rector, fámulum tuum Dismam, quem pastórem Ecclésiæ Campigrandénsis præésse voluísti, propítius réspice: † da ei, quǽsumus, verbo et exémplo, quibus præest, profícere: * ut ad vitam, una cum grege sibi crédito, pervéniat sempitérnam. Per Christum, Dóminum nostrum.
℟. Amen.

Pe. Marcelo Tenório


"Ó Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, conservai os vossos sacerdotes sob a proteção do Vosso Coração amabilíssimo, onde nada de mal lhes possa suceder.

Conservai imaculadas as mãos ungidas, que tocam todos os dias vosso Corpo Santíssimo. Conservai puros os seus lábios, tintos pelo Vosso Sangue preciosíssimo. Conservai desapegados dos bens da terra os seus corações, que foram selados com o caráter firme do vosso glorioso sacerdócio.

Fazei-os crescer no amor e fidelidade para convosco e preservai-os do contágio do mundo.

Dai-lhes também, juntamente com o poder que tem de transubstanciar o pão e o vinho em Corpo e Sangue, poder de transformar os corações dos homens.

Abençoai os seus trabalhos com copiosos frutos, e concedei-lhes um dia a coroa da vida eterna. Assim seja!
"

(Santa Teresinha do Menino Jesus)

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20 de mar de 2016

2º DOMINGO DA PAIXÃO ou DOMINGO DE RAMOS - 20/03/2016 - Leituras e Comentário à Narrativa da Paixão



2º DOMINGO DA PAIXÃO
ou DOMINGO DE RAMOS

1ª Classe

Para ler/baixar a Liturgia completa (com o Ordinário e os Próprios da Procissão e da Missa), clique aqui.

Procissão em Honra a Cristo Rei

Paramentos Vermelhos

 Entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.
Afresco por Fra Angelico.

Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 21, 1-9.

Naquele tempo, aproximando-se Jesus de Jerusalém, e chegando a Betfagé, junto do Monte das Oliveiras, enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: “Ide à aldeia, que esta de fronte de vós, e logo encontrareis presa uma jumenta com o seu jumentinho; soltai-a e trazei-ma. E se alguém vos disser alguma coisa, dizei que o Senhor precisa deles, que ele logo os deixará trazer.” Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que tinha sido anunciado pelo profeta, ao dizer: ‘Dizei à filha de Sião: Eis que o teu Rei vem a ti, cheio de mansidão, montado sobre uma jumenta e sobre um jumentinho, filho da que leva o jugo.’ Foram, pois, os discípulos e fizeram como Jesus lhes ordenara: Trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram-lhes em cima os mantos, e fizeram-no montar. E o povo em grande multidão estendia no caminho os seus mantos; outros cortavam ramos de arvores, e juncavam com eles o caminho. E a multidão que ia a frente, e a que ia atrás, gritava, dizendo: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor!”


Missa do 2º Domingo da Paixão

Paramentos Roxos

Traição de Jesus por Judas. Afresco por Fra Angelico.

Epístola de São Paulo Apóstolo aos Filipenses 2, 5-11.

Meus irmãos: Tende em vós os mesmos sentimentos de Jesus Cristo: Ele, porque possuía a natureza divina, não fazia rapina julgando-Se igual a Deus. Contudo, aniquilou-se a Si mesmo, tomando a natureza de escravo, tornando-Se semelhante aos homens, e apresentando-Se na condição de homem. Humilhou-Se s Si mesmo, fazendo-Se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus O exaltou e Lhe deu um nome que esta acima de todo o nome, (ajoelhar-se) para que ao nome de Jesus todo o joelho se dobre, no Céu, na Terra, e no Inferno, e toda língua confesse que o Senhor Jesus Cristo está na glória de Deus Pai.


Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo:
Evangelho segundo São Mateus 26, 36-75 – 27, 1-60.

Naquele tempo, dirigiu-se Jesus, com os seus discípulos, a uma quinta, chamada Getsemani, e disse aos seus discípulos:
“Sentai-vos aqui, enquanto Eu vou acolá fazer oração.”
E, tendo tomado consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-Se e a angustiar-Se. Disse-lhes então:
“A minha alma está numa tristeza mortal: ficai aqui e vigiai co'Migo.”
E, adiantando-Se um pouco, prostrou-Se com o rosto por terra, orando e dizendo:
“Pai, se é possível, afaste-se de Mim este cálice; todavia, não se faça como Eu quero, mas sim como Vós quereis.”
Depois, foi ter com os discípulos, mas encontrou-os a dormir. Disse, pois, a Pedro:
“Então não pudestes vigiar um hora co'Migo? Vigiai e orai, para não cairdes em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca.”
E retirou-se pela segunda vez, e orou, dizendo:
“Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a vossa vontade.”
Veio novamente, mas encontrou-os a dormir, porque os seus olhos estavam carregados de sono. E, deixando-os, foi de novo, e orou pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. Então, foi ter com os discípulos, e disse-lhes:
“Dormi agora e descansai: chegou por fim a hora em que o Filho do Homem será entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos, vamos; eis que se aproxima o que Me vai entregar.”
Estando ainda a falar, chegou Judas, um dos doze, e com ele grande multidão, com espadas e varapaus, enviados pelos principais dos sacerdotes, e pelos anciãos do povo. O traidor tinha-lhes entregado este sinal:
S. “Aquele a quem eu der um ósculo, é Esse; prendei-O.”
Aproximando-se, pois, logo, de Jesus, disse:
S. “Deus Te salve, Mestre.”
E deu-Lhe um ósculo. Disse-lhe Jesus:
“Amigo, a que vieste?”
Então, os outros avançaram, e lançando as mãos a Jesus, prenderam-No. Um dos que estava com Jesus, estendendo a mão, desembainhou a espada, e, ferindo um servo do Sumo Pontífice, cortou-lhe uma orelha. Disse-lhe então Jesus:
“Mete a espada no seu lugar, porque todos os que pegarem da espada, morrerão à espada. Julgas, porventura, que Eu não posso invocar meu Pai, e que Ele não porá logo aqui, à minha disposição, mais de doze legiões de Anjos? Aliás, como se hão de cumprir as Escrituras, que declaram que assim deve suceder?”
Naquela hora disse Jesus àquela turbamulta:
“Viestes armados de espadas e varapaus para Me prender, como se faz a um ladrão; todos os dias estava sentado no meio de vós a ensinar no Templo, e não Me prendestes. Mas tudo isto aconteceu, para se cumprirem as Escrituras dos profetas.”
Nesta altura, todos os discípulos O abandonaram e fugiram. Os que prenderam Jesus, levaram-No à casa do Sumo Sacerdote, Caifás, onde se tinham reunido os escribas e anciãos. Pedro, porém, foi-O seguindo de longe, até ao átrio do Sumo Sacerdote. E, tendo entrado, sentou-se com os criados, a ver o fim daquilo tudo. Entretanto, os principais dos sacerdotes e todo o conselho procuravam algum falso testemunho contra Jesus, para O entregarem à morte. Por fim, apresentaram-se duas testemunhas falsas, que disseram:
S. “Este disse: Posso destruir o Templo de Deus, e reedificá-lo em três dias.”
Levantando-se, então, o Sumo Sacerdote, disse-Lhe:
S. “Não respondes nada ao que estes depõem contra Ti?”
Jesus, porém, mantinha-se calado. Disse-Lhe, pois, o Sumo Sacerdote:
S. “Eu Te conjuro, em nome do Deus vivo, que nos digas se Tu és o Cristo, o Filho de Deus.
Jesus respondeu:
“Tu o disseste; mas também vos declaro que haveis de ver o Filho do Homem sentado à direita do poder de Deus, e vir sobre as nuvens do céu.”
Então, o Sumo Sacerdote rasgou os vestidos, dizendo:
S. “Blasfemou; que mais necessidade temos de testemunhas? Acabais de ouvir a blasfêmia; que vos parece?”
Eles responderam:
S. “É réu de morte.”
Então, escarraram-Lhe no rosto, e feriam-No às punhadas, enquanto outros O esbofeteavam, dizendo:
S. “Faz agora de profeta, ó Cristo! Diz lá quem Te bateu!”
Entretanto, Pedro estava sentado fora, no átrio. Aproximou-se dele uma criada, e disse-lhe:
S. “Tu também estavas com Jesus, o Galileu.”
Mas ele negou diante de todos, dizendo:
S. “Não sei o que dizes.”
Estando ele a sair da porta, viu-o outra criada, que disse para os que ali se encontravam:
S. “Este também estava com Jesus, o Nazareno.”
E ele, pela segunda vez, negou com juramento, dizendo ‘Não conheço esse homem.’ Daí a pouco, aproximaram-se de Pedro os que ali estavam, e disseram:
S. “Tu, com certeza, também és dos tais, porque até a tua linguagem te dá a conhecer.”
Então começou a fazer imprecações e a jurar que não conhecia tal homem. Quando imediatamente cantou o galo, Pedro lembrou-se da palavra que lhe tinha dito Jesus: Antes de o galo cantar, já Me terás negado três vezes. E, tendo saído para fora, chorou amargamente.
Logo de manhã todos os principais dos sacerdotes e anciãos do povo se reuniram em conselho contra Jesus, para O entregarem à morte. Depois, levando-O bem preso, entregaram-No ao governador Pôncio Pilatos. Então Judas, o traidor, vendo que Jesus fora condenado, e assaltado pelo remorso, tornou a levar as trinta moedas de prata aos principais dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo:
S. “Pequei, entregando o sangue inocente.”
Responderam-lhe eles:
S. “Que temos nós com isso? Isso é contigo!”
Então, atirando com as moedas de prata para o Templo, retirou-se, e foi-se enforcar. Os principais dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram:
S. “Não é lícito deitá-las na arca das esmolas, visto serem preço de sangue.”
Depois de deliberarem entre si, compraram com elas o campo de um oleiro, para sepultura dos estrangeiros. Por esta razão foi aquele campo chamado Hacéldama, isto é, campo de sangue, até o dia de hoje. Assim se cumpriu o que foi predito por Jeremias, profeta, ao dizer: ‘Tomaram as trinta moedas de prata, custo d' Aquele cujo preço foi avaliado pelos filhos de Israel, e deram-nas pelo campo de um oleiro, como o Senhor me ordenou.’
Jesus foi apresentado diante do governador, e o governador interrogou-O, dizendo:
S. “Tu és o Rei dos Judeus?”
Disse-lhe Jesus:
“Tu o dizes.”
Mas, ao ser acusado pelos principais dos sacerdotes e anciãos, não respondeu coisa alguma. Disse-Lhe, então, Pilatos:
S. “Não ouves de quantas coisas te acusam?”
Ele, porém, nada respondeu, de modo que o governador ficou admirado em extremo. Ora o governador tinha por costume, no dia solene [da Páscoa], soltar aquele preso que o povo quisesse. Naquela ocasião, tinha um preso afamado, chamado Barrabás. Estando, pois, eles reunidos, disse-lhes Pilatos:
S. “Quem quereis que vos solte: Barrabás, ou Jesus, que se chama o Cristo?”
Pois ele bem sabia que o tinham entregado por inveja. Estando ele já no tribunal, sua mulher mandou-lhe dizer:
S. “Não te metas com esse justo, pois fui hoje muito atormentada em sonhos por causa d'Ele.”
Entretanto, os principais dos sacerdotes e os anciãos persuadiram o povo a que pedisse Barrabás, e fizesse morrer Jesus. Mas o governador, tomando a palavra, disse-lhes:
S. “Qual dos dois quereis que vos solte?”
Eles responderam:
S. “Barrabás.”
Disse-lhes Pilatos:
S. “E que hei de fazer de Jesus, que se chama o Cristo?”
Disseram todos:
S. “Seja crucificado.”
Disse-lhes o governador:
S. “Mas que mal fez Ele?”
Eles, porém, gritavam com mais força, dizendo: “Seja crucificado.” Pilatos, vendo que nada conseguia, e que o tumulto era cada vez maior, tomando água, lavou as mãos diante do povo, dizendo:
S. “Eu sou inocente do sangue deste justo; isto é lá convosco.”
Respondeu todo o povo:
S. “Que o seu sangue caia sobre nós e sobre os nossos filhos.”
Então, soltou-lhes Barrabás; e, depois de mandar flagelar Jesus, entregou-O para ser crucificado. Depois disto, os soldados do governador, conduzindo Jesus ao pretório, juntaram à volta d'Ele toda a corte; e, despindo-O, cobriram-No com um manto carmesim. Em seguida, tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça, e na mão direita uma cana. E, dobrando O joelho diante d'Ele, escarneciam-No, dizendo:
S. “Deus Te salve, rei dos Judeus.”
E, cuspindo-Lhe, pegavam na cana e batiam-Lhe com ela na cabeça. Depois de assim terem escarnecido, tiraram-Lhe o manto, e puseram-Lhe novamente os seus vestidos, e levaram-No para o crucificarem. Ao sair da cidade, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e obrigaram-no a levar a cruz de Jesus. Quando chegaram ao lugar chamado Gólgota (isto é, lugar da Caveira), deram-lhe a beber vinho misturado com fel. Ele provou-o, mas não quis beber. Depois de O crucificarem, repartiram os seus vestidos, deitando-os à sorte, cumprindo-se deste modo o que tinha sido anunciado pelo Profeta, ao dizer: Repartiram entre si os meus vestidos, e sobre a minha túnica lançaram sortes. Então, sentaram-se, guardando-O. Tinham-Lhe posto, por cima da cabeça, uma inscrição, a indicar a causa da morte: ‘Este é Jesus, o Rei dos Judeus.’ Ao mesmo tempo, foram crucificados com Ele dois ladrões: um à direita, e outro à esquerda. E os que iam passando blasfemavam d'Ele, movendo a cabeça, e diziam:
S. “Olá! Tu que destróis o templo de Deus, e o reedificas em três dias, salva-te a Ti mesmo; se és o Filho de Deus, desce da cruz!”
Do mesmo modo O insultavam os principais dos sacerdotes, com os escribas e anciãos, dizendo:
S. “Salvou os outros, e não se pode salvar a Ele mesmo! Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e acreditaremos n'Ele. Confiou em Deus: que Deus O livre agora, se é que O ama, já que disse: Eu sou o Filho de Deus.”
Do mesmo modo o insultavam os ladrões, que tinham sido crucificados com Ele. Desde a hora sexta até a nona, houve trevas sobre toda a terra. Por volta da hora nona, exclamou Jesus em alta voz, dizendo:
“Eli, Eli, lamma sabactháni?”
Que quer dizer:
“Deus meu, Deus meu, porque me abandonastes?”
Alguns dos que ali estavam, e ouviram isto, diziam:
S. “Está a chamar por Elias!”
Logo um deles, depois de ter corrido a pegar numa esponja, ensopou-a em vinagre, pô-la na ponta duma cana, e deu-lha a beber. Porém, os outros diziam:
S. “Deixa ver se vem Elias livrá-Lo!”
Jesus, então, soltando de novo um alto brado, expirou.
(ajoelhar-se, fazendo uma pausa)
Naquele instante o véu do Templo rasgou-se em duas partes, de alto a baixo, a terra tremeu, as rochas fenderam-se, as sepulturas abriram-se, muitos corpos de santos, que tinham adormecido no Senhor, ressuscitaram, e saindo das sepulturas depois da sua ressurreição, foram à cidade santa, e apareceram a muitos. O centurião e os que com ele estavam de guarda a Jesus, ao verem o terremoto e as coisas que aconteciam, tiveram grande medo, e diziam:
S. “Na verdade, este homem era o Filho de Deus.”
Achavam-se também ali, vindas de longe, muitas mulheres, que tinham seguido a Jesus desde a Galileia, subministrando-Ihe o necessário. Entre elas, estava Maria Madalena, Maria mãe de Tiago, a mãe de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu. Ao fim da tarde, chegou um homem rico, de Arimateia, chamado José, que também era discípulo de Jesus. Foi ter com Pilatos, e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos mandou que lhe fosse entregue o corpo de Jesus. E José, tomando o corpo, envolveu-O num lençol branco, depositou-O no seu sepulcro novo, que tinha aberto numa rocha, e rolou uma grande pedra a tapar a entrada do sepulcro. E retirou-se.

Traduções das leituras extraídas do Missal Quotidiano por Pe. Gaspar Lefebvre OSB (beneditino da Abadia de Santo André) – Bruges, Bélgica: Biblica, 1963 (com adaptações).


Comentário ao Evangelho do dia:
Beato Guerric de Igny (354-430), bispo de Hipona (Norte de África), doutor da Igreja
3º Sermão para o Domingo de Ramos; SC 202 (extraído do site A Voz do Silêncio, apud Per Ipsum)

“Bendito seja o que vem em nome do Senhor”

É sob dois aspectos bem diferentes que a festa de hoje apresenta aos filhos dos homens Aquele que a nossa alma deseja (Is 26,9), “o mais belo dos filhos dos homens” (Sl 44,3). Ele atrai o nosso olhar sob esses dois aspectos; amamo-lo sob um e sob o outro, porque num e noutro Ele é o Salvador dos homens.

Se considerarmos ao mesmo tempo a procissão de hoje e a Paixão, vemos Jesus, por um lado sublime e glorioso, por outro humilhado e doloroso. Porque, na procissão, Ele recebe as honras reais e, na Paixão, vemo-lo castigado como um malfeitor. Aqui cercam-no a glória e a honra; ali, “não tem aparência nem beleza” (is 53,2). Aqui, temos a alegria dos homens e o orgulho do povo; ali, temos “a vergonha dos homens e o desprezo do povo” (Sl 21,7). Aqui, aclamam-no: “Hosana ao Filho de Davi. Bendito seja o rei de Israel que vem!” Ali, vociferam que merece a morte e escarnecem dele porque se fez rei de Israel. Aqui, correm para Ele com palmas; ali, flagelam-lhe o rosto com as mesmas palmas e batem-lhe na cabeça com uma cana.. Aqui, cumulam-no de elogios; ali, afogam-no em injúrias. Aqui, disputam-se para juncar-lhe o caminho com as vestes dos outros; ali, despojam-no das suas próprias vestes. Aqui, recebem-no em Jerusalém como o rei justo e o Salvador; ali, é expulso de Jerusalém como um criminoso e um impostor. Aqui, montam-no sobre um burro, rodeado de homenagens; ali, é pendurado da cruz, rasgado pelos chicotes, trespassado de chagas e abandonado pelos seus.

Senhor Jesus, quer o Teu rosto apareça glorioso quer humilhado, sempre nele vemos brilhar a sabedoria. Do Teu rosto irradia o fulgor da luz eterna (Sb 7,26). Que brilhe sempre sobre nós, Senhor, a luz do Teu rosto (Sl 4,7) nas tristezas como nas alegrias... Tu és a alegria e a salvação de todos, quer te vejam montado sobre o burro, quer suspenso do madeiro da cruz.

19 de mar de 2016

Santo do Dia - Sábado, 19/03/2016



SÃO JOSÉ, ESPOSO DA SANTÍSSIMA VIRGEM, PADROEIRO DA IGREJA
(19 de março)

São José retratado no vitral de uma 
igreja em Tannenkirck, França.

A devoção a São José na Igreja Católica é antiquíssima. A Igreja do Oriente celebra-lhe a festa desde o século 9º, tendo os Carmelitas introduzido tal festa na Igreja ocidental. Os Franciscanos em 1399 já festejavam a comemoração do santo Patriarca. Sisto IV inseriu-a no breviário e no Missal; Gregório XV generalizou-a em toda a Igreja. Clemente XI compôs o ofício com os hinos para o dia 19 de março e colocou as missões da China sob a proteção de São José. Pio IX introduziu, em 1847, a festa do Patrocínio de São José e, em 1871 declarou-o PADROEIRO DA IGREJA CATÓLICA; Leão XIII e Bento XV recomendaram aos fiéis a devoção a São José de um modo particular, chegando este último Papa a inserir no Missal um prefácio próprio.

Nada sabemos a respeito da infância de São José, tampouco da vida que levou, até o casamento com Maria Santíssima. Os santos Evangelhos não nos dizem coisa alguma a respeito; limitam-se apenas a afirmar que José era justo, o que quer dizer: José era cumpridor da lei, homem santo.

Que a virtude e santidade de São José foram extraordinárias, vemos pela grande missão que Deus lhe confiou. Segundo a Doutrina de São Tomás de Aquino, Deus confere as graças e privilégios à medida da dignidade e da elevação do estado, a que destina o indivíduo. Pode imaginar-se dignidade maior que a de São José que, pelos desígnios de Deus, devia ser esposo de Maria Santíssima e pai adotivo de seu divino Filho? Maria Santíssima, consentindo no enlace com o santo descendente de Davi, não podia ter outra coisa em mira senão uma garantia para o futuro, uma defesa de sua virtude e uma satisfação perante a sociedade, visto que no Antigo Testamento não era conhecida, e muito menos considerada, a vida celibatária. Celebrando o contrato, Maria Santíssima certamente o fez com a garantia absoluta da pureza virginal, que por inspiração divina votara a Deus.

Ao realizar-se a grandiosa obra da Encarnação do Verbo, o Arcanjo Gabriel comunicou-se o grande mistério, que nela se havia de realizar e, após pronunciar o "fiat", consentindo sua maternidade operada pelo Espírito Santo, deixou São José em completa ignorância. Com esse consentimento, dirigiu-se à casa de Isabel, onde se demorou três meses e, de volta para casa, seu estado causou no espírito de São José as mais graves preocupações e cruéis dúvidas. A virtude e a santidade da esposa estavam acima de qualquer suspeita, não lhe permitindo explicação menos favorável.

Nesta perplexidade invencível, resolveu abandonar a esposa e, quando tudo já estivesse providenciado para a partida, um Anjo do Senhor lhe aparece em sonhos e lhe diz: "José, filho de Davi, não temas admitir Maria, tua Esposa, porque o que nela se operou é obra do Espírito Santo". Foram assim de vez dissipadas as negras nuvens do espírito de José. Com quanto respeito, com quanta atenção não teria tratado aquela que pela fé sabia ser o tabernáculo vivo do Messias.

Ignora-se quando São José morreu. Há razões que fazem supor que o desenlace se tenha dado antes da vida pública de Jesus Cristo. Certamente não se achava mais vivo quando seu Filho morreu na cruz; do contrário não se explicaria porque Jesus recomendou a Mãe a São João Evangelista, não havendo razão para isto se estivesse vivo São José.

Que morte santa terá tido o pai nutrício de Jesus! Que felicidade morrer nos braços do próprio Jesus Cristo, tendo à cabeceira a Mãe de Deus! Mortal algum teve igual ventura. A Igreja, com muita razão, invoca São José como padroeiro dos moribundos, e os cristãos se lhe dirigem com confiança, para alcançar a graça de uma boa morte.

Não existem relíquias de São José, tampouco sabe-se algo do lugar onde foi sepultado. Homens ilustrados e versados nas ciências teológicas houve e há que defendem a opinião que São José, em atenção a sua alta posição e grande santidade, foi, como São João Batista, santificado antes do nascimento e já gozava de corpo e alma da glória de Deus no céu, em companhia de Jesus, seu Filho e Maria, sua Santíssima esposa.

Grande deve ser a nossa confiança na intercessão de São José. Não há pessoa nem classe que não possa, que não deva se lhe dirigir. Santa Teresa, a grande propagandista da devoção a São José, chegou a dizer: "Não me lembro de ter-me dirigido a São José sem que tivesse obtido tudo que pedira".

(Texto extraído de “Na Luz Perpétua”, por Pe. J. B. Lehmann,
e disponível na Página Oriente, alterações a/c blog)

SÃO JOSÉ, PADROEIRO DA IGREJA - 19/03/2016 - Leituras e Comentário ao Evangelho



SÃO JOSÉ, ESPOSO DA SANTÍSSIMA VIRGEM MARIA, PADROEIRO DA IGREJA

1ª Classe - Paramentos Brancos

Para ler/baixar o Próprio da Missa de hoje, clique aqui.
Para ler/baixar as orações de comemoração do
Sábado da Paixão, clique aqui. 
Detalhe de São José no painel  “Adoração dos magos”. 
Pintura por Fra Angelico.

Epístola: Livro do Eclesiástico 45, 1-6. 

Amado de Deus e dos homens, a sua memória é abençoada. Deu-lhe uma glória igual à dos santos, tornou-o grande e temível aos inimigos, e à voz da sua palavra cessaram os castigos. Glorificou-o na presença dos reis, preceituou-lhe a Lei para o seu povo, e deixou-lhe ver um vislumbre da sua glória. Pela sua fé e pela sua mansidão, consagrou-o e escolheu-o de entre todos os homens. Fez que ele ouvisse a sua voz, e introduziu-o na nuvem. Deu-lhe, face a face, os mandamentos, como lei da vida e modo de a levar.


Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 1, 18-21. 

Estando Maria, Mãe de Jesus, desposada com José, aconteceu que ela, antes de coabitarem, concebeu por obra do Espírito Santo. José, seu esposo, que era justo e não a queria difamar, resolveu deixá-la secretamente. Ora, andando ele com isto no pensamento, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos, dizendo: “José, filho de Davi, não tenhas receio de receber Maria como tua esposa, porque o que nela foi concebido é obra do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho, a Quem porás o nome de Jesus, porque é Ele que salvará o seu povo dos seus pecados.”


Traduções das leituras extraídas do Missal Quotidiano por Pe. Gaspar Lefebvre OSB (beneditino da Abadia de Santo André) – Bruges, Bélgica: Biblica, 1963 (com adaptações).


Comentário ao Evangelho do dia: 
Bento XVI, Papa de 2005 a 2013 
Trecho da Alocução para o Ângelus de 18/12/2005  (texto original no site do Vaticano, referenciado pelo site Per Ipsum)


São José, modelo de escuta

O seu silêncio [o de São José, n.d.r.] é permeado de contemplação do mistério de Deus, em atitude de total disponibilidade à vontade divina. Em síntese, o silêncio de São José não manifesta um vazio interior mas, ao contrário, a plenitude de fé que ele traz no coração, e que orienta todos os seus pensamentos e todas as suas ações. Um silêncio graças ao qual José, em uníssono com Maria, conserva a Palavra de Deus, conhecida através das Sagradas Escrituras, comparando-a continuamente com os acontecimentos da vida de Jesus; um silêncio impregnado de oração constante, de oração de bênção do Senhor, de adoração da sua santa vontade e de confiança sem reservas na sua providência. Não se exagera, se se pensa que precisamente do "pai" José, Jesus adquiriu no plano humano aquela vigorosa interioridade, que é o pressuposto da justiça autêntica, da "justiça superior", que um dia Ele ensinará aos seus discípulos (cf. Mt 5, 20).

Deixemo-nos "contagiar" pelo silêncio de São José! Temos tanta necessidade disto, num mundo muitas vezes demasiado ruidoso, que não favorece o recolhimento, nem a escuta da voz de Deus.

18 de mar de 2016

Santo do Dia - Sexta-Feira, 18/03/2016



SÃO CIRILO DE JERUSALÉM
(18 de março)

Ícone de São Cirilo de Jerusalém, em templo ortodoxo grego.
Anônimo, século 14.

Desde o início dos tempos cristãos a heresia se infiltrara na Igreja, mas, foi no século IV, que ocorreram as do arianismo e do nestorianismo causando profundas divisões. Cirilo viveu nesse período em Jerusalém, perto de onde nascera em 315, de pais cristãos e bem situados financeiramente. Muito preparado, desde a infância, nas Sagradas Escrituras e nas matérias humanísticas, em 345, foi ordenado sacerdote.

Em 348, foi consagrado, bispo de Jerusalém. Ocupou o cargo durante aproximadamente trinta e cinco anos, dezesseis dos quais passou no exílio, em três ocasiões diferentes. A primeira porque o bispo Acácio, de grande influencia na Igreja, cuja obra foi citada por São Jerônimo, acusou Cirilo de heresia. A segunda por ordem do imperador Constâncio que entendeu ser Cirilo realmente um simpatizante dos hereges, mas em sua defesa atuaram os bispos, Atanásio e Hilário, ambos Padres da Igreja assim como o próprio bispo Cirilo o é. A terceira, foi a mais longa , porque o imperador Valente, este sim herege, decidiu mandar de volta ao exílio todos os bispos anistiados, fato que fez Cirilo peregrinar durante onze anos, por várias cidades da Ásia, até a morte do soberano, em 378.

O seu trabalho, entretanto, resistiu a tudo e chegou até nossos dias, especialmente porque ele sabia ensinar o Evangelho, como poucos. Em sua cidade, logo que se tornou sacerdote e no início do episcopado era o responsável por preparar os catecúmenos, isto é, os adultos que se convertiam e iriam ser batizados. Foi nesse período que escreveu dezoito discursos catequéticos, um sermão, a carta ao imperador Constantino e outros pequenos fragmentos. Treze escritos eram dedicados à exposição geral da doutrina e cinco dedicados ao comentário dos ritos Sacramentais da iniciação cristã. Assim, seus escritos explicam detalhadamente os "como" e os "porquês" de cada oração, do Batismo, da Crisma, da Penitência, dos Sacramentos e dos mistérios do Cristianismo, ditos dogmas da Igreja. [NOTA DO BLOG: Não confundir as 18 "Catequeses de São Cirilo" aqui mencionadas com as "Catequeses Mistagógicas", texto apócrifo e herético falsamente atribuído a este santo.]

Cirilo também soube viver a religião na prática. Numa época de grande carestia, por exemplo, não hesitou em vender valiosos vasos litúrgicos e outras preciosidades eclesiásticas, para matar a fome dos pobres da cidade. Ele morreu no ano 386.

Desde o início de sua vida religiosa, Cirilo cujo caráter era afável e suave, sempre preferiu a catequese aos assuntos polêmicos, chegando quase a se comprometer com os arianos e semi-arianos. Porém, de maneira contundente aderiu à doutrina ortodoxa da Igreja no III Concílio Ecumênico de Constantinopla, em 382, no qual ficou clara sua sempre fiel postura à Santa Sé e à Verdade de Cristo. Nessa oportunidade teve em seu favor a eloquência das vozes dos sinceros bispos e amigos, Atanásio e Hilário, que o chamaram "valente lutador para defender a Igreja dos hereges que negam as verdades de nossa religião".

Sua canonização demorou porque, durante muito tempo, seu pensamento teológico foi considerado vascilante, como dizem os registros. Em 1882, o Papa Leão XIII, na solenidade em que instituiu sua veneração, honrou São Cirilo de Jerusalém, com os títulos de doutor da Igreja e príncipe dos catequistas católicos.

(com informações do Portal Paulinas, alterações a/c blog)

Féria Litúrgica do Dia - Sexta-Feira, 18/03/2016

COMEMORAÇÃO DE NOSSA SENHORA DAS DORES
NA SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO
(18 de março de 2016)


Acompanhar Nossa Senhora em todas as fases de sua vida terrestre e admirar os altos desígnios de Deus na pessoa sacrossanta de sua Mãe é sempre delícia para um coração devoto à Santíssima Virgem. Mais apropriada não podia ser a nossa meditação das dores, senão ocupando-nos com os sete dolorosos lances de sua existência terrena, ou propriamente “as sete dores”, a saber:

1.ª - A profecia de Simeão:
“Eis aqui está posto este Menino para ruína e para ressurreição de muitos de Israel, e como alvo a que atirará a contradição. E uma espada traspassará tua alma”. (Lc. 2,34) A esta palavra a Santíssima Virgem vê de uma maneira clara e distinta no futuro as contradições a que Jesus Cristo será exposto: contradições na doutrina, contradições no conceito público, contradições nos seus santíssimos afetos, na alma e no corpo. E esta previsão dolorosa ficou na alma de Maria durante trinta e três anos. À medida que Jesus crescia em idade, em sabedoria e em graça, no Coração de Maria aumentava a angústia de perder um filho tão caro, pela aproximação da inexorável Paixão e Morte. “O Senhor usa de compaixão para conosco em não nos fazer ver as cruzes que nos esperavam, e se temos de sofrer, é só uma vez. Com Maria Santíssima assim não procedeu, porque a queria Rainha das dores e toda semelhante ao Filho; por isso ela via sempre diante de  si todas as  pelas que havia de sofrer” (Santo Afonso de Ligório)

2.º - A fuga para o Egito:
A profecia de Simeão começou a cumprir-se logo. Jesus apenas nascido, já é cercado pela morte. Para salvá-lo, Maria deve ir para um exílio longínquo, para o Egito, por caminhos desconhecidos, cheios de perigos. No Egito a Sagrada Família passou perto sete longos anos como estranha, desconhecida, sem recursos, sem parentes.  “A viagem de volta para a Terra Santa apresentou-se mais penosa ainda, porque o Menino Jesus já era tão crescido que, levá-lo ao colo, difícil tarefa devia ser, e fazer a pé o grande trajeto parecia acima de suas forças” (São Boaventura)

3.º - Jesus encontrado no templo:
“Há quem diga que toda esta dor não só foi maior de todas que Maria sofreu na sua vida, mas que foi também de todas a mais acerba”. Nos outros seus sofrimentos tinha ela Jesus em sua companhia; mas agora via-se longe dele, sem saber onde ele se achava. Das outras dores Maria conhecia perfeitamente a razão e o fim, isto é, a redenção do mundo, a vontade divina; mas nesta dor não podia ela atinar com o motivo de Jesus estar longe de sua Mãe. Quem sabe se sua mente não se torturava com pensamentos como este: “não o servi como devia, cometi alguma falta, alguma negligência, que motivasse dele se retirar de mim?” Certo é que não pode haver pena maior para uma alma que tem amor a Deus, senão o temor de o ter desgostado. Realmente, em nenhuma outra dor, que nós saibamos, Maria se lamentou, queixando-se  amorosamente com Jesus, depois de o ter achado: “Filho, por que fizeste assim conosco? Olha que teu pai e eu te buscávamos aflitos” (Santo Afonso de Ligório)

4.º - Maria se encontra com Jesus na via dolorosa:
Pilatos tinha sentimento humano para com Jesus; tivesse ele vencido sua covardia, talvez o teria salvo do furor da multidão, ainda mais se, à súplica de sua mulher, se tivesse unido um pedido da Mãe de Jesus. Maria, porém, não se move naquela hora tremenda, que decide da vida ou da morte de seu Filho, porque sabe que o Filho podia, por si, sem auxílio alheio, livrar-se dos seus inimigos, e se se deixa como um cordeiro levar ao suplício, então é porque o faz espontaneamente, cumprindo a vontade de Deus. Maria ainda não se move, quando a sentença já é irrevogavelmente pronunciada. Vai ao encontro de Jesus que, carregado do peso da cruz, se encaminha para o Calvário. Vê-o todo desfigurado e entregue, coberto de mil feridas e horrivelmente ensanguentado. Seus olhares se cruzam. Nenhuma queixa sai da sua boca, porque as maiores dores Deus lhe reservou para a salvação do mundo. Aquelas duas almas, heroicamente generosas, continuam juntas no seu caminho do sofrimento, até o lugar do suplício.

5.º - Jesus morre na cruz:
Chegam ao Calvário. Os algozes despojam Jesus das suas vestes, pregam-no na cruz, levantam o madeiro e sobre ele deixam-no morrer. Maria agora se aproxima da cruz e perto da cruz fica, e assiste à horrível agonia de três horas. “Que espetáculo ver-se o Filho agonizante sobre a cruz, e ver-se ao pé da mesma agonizar a Mãe, que todas as penas sofria com seu Filho! (Santo Afonso). “O que os cravos eram para o corpo de Jesus, para o coração de Maria era o amor” (São Bernardo). “No mesmo tempo que Jesus sacrificava o corpo, a Mãe imolava a alma” (São Bernardo). E não pode  dar ao Filho o menor alívio; ainda saber que o maior tormento para o Filho era ver presente sua Mãe, que dor, que sofrimento! O único alívio para a Mãe e para o filho era saber, que das suas dores resultava para nós a vida eterna.

6.º - Abertura do coração de Jesus pela lança e descimento da cruz:
Jesus morrendo, exclamou: “Consummatum est” – Tudo está consumado. Estava completa a série dos sofrimentos para o Filho, não porém, para a Mãe. Quando ela está chorando a morte do filho, um soldado vibra a lança contra o peito de Jesus, abrindo-o, e sai sangue e água. O corpo morto de Jesus não sente mais a lançada; mas sentiu-a a Mãe no íntimo do coração. Tiram o corpo do Filho da cruz. O Filho é entregue à Mãe, mas em que estado! Antes o mais belo entre os filhos dos homens, agora está todo desfigurado. Antes, era um prazer olhar para ele; agora, seu aspecto é horroroso. Quando morre  um filho, trata-se de afastar do cadáver a mãe. Maria, pelo contrário, não deixa que lho tirem dos seus braços, senão quando é para sepultá-lo.

7.º - Jesus é colocado no sepulcro:
“Eis que já o levam para sepultá-lo. Já se põe em movimento o doloroso préstito. Os discípulos levam o corpo de Jesus sobre os ombros. Os Anjos do céu o acompanham. As santas mulheres seguem e, no meio delas, a Mãe. Querem que ela mesma acomode o corpo sacrossanto de Jesus no sepulcro, precisando pôr a pedra para fechar o sepulcro, os discípulos precisam dirigir-se à Santíssima Virgem, e lhe dizer: “Agora é hora de vos despedir, Senhora;  deixai que fechemos o sepulcro. Muni-vos de paciência! Olhai-o pela última vez e despedi-vos de vosso filho”. Moveram a pedra e colocaram-na no seu lugar, fechando com ela o santo sepulcro. Maria, dando um último adeus ao Filho e à sepultura, volta para casa” (Santo Afonso). “Voltou tão triste a aflita e pobre Mãe, que todos a viam, dela se compadeciam e choravam” (São Bernardo)

Só no nosso coração não haverá lágrimas para Maria? Não choramos nós, que somos a causa de tantas dores? Ah! Se nos faltam lágrimas de sentimento dos nossos olhos sensíveis, choremos pelo menos lágrimas de penitência, expressão ainda do firme propósito, de não mais cometermos pecado algum. Foram os nossos pecados que levaram à morte o nosso Irmão primogênito, e transpassaram o coração dulcíssimo de Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe.

(Texto extraído de “Na Luz Perpétua”, por Pe. J. B. Lehmann,
e disponível na Página Oriente, alterações a/c blog)