TEMPO PER ANNUM - APÓS PENTECOSTES

(22 de maio a 26 de novembro de 2016)

Horários de Missa

CAMPO GRANDE/MS
Paróquia São Sebastião


DOMINGO
16:30h - Confissões
17h - Santa Missa

TERÇA A SEXTA-FEIRA
(exceto em feriados cívicos)
11h - Santa Missa

1º SÁBADO DO MÊS
16h - Santa Missa

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Nossa Sr.ª das Graças


Ave Maria, gratia plena;
Dominus tecum:
benedicta tu in mulieribus,

et benedictus fructus
ventris tui Iesus.

Sancta Maria, Mater Dei
o
ra pro nobis peccatoribus,
nunc et in hora
mortis nostrae.

Amen.

Nosso Padroeiro


Sancte Sebastiáne,
ora pro nobis.

Papa Francisco


℣. Orémus pro Pontífice nostro Francísco.
℟. Dóminus consérvet eum, et vivíficet eum, et beátum fáciat eum in terra, et non tradat eum in ánimam inimicórum ejus.
℣. Tu es Petrus.
℟. Et super hanc petram ædificábo Ecclésiam meam.
℣. Oremus.
Deus, ómnium fidélium pastor et rector, fámulum tuum Francíscum, quem pastórem Ecclésiæ tuæ præésse voluísti, propítius réspice: † da ei, quǽsumus, verbo et exémplo, quibus præest, profícere: * ut ad vitam, una cum grege sibi crédito, pervéniat sempitérnam. Per Christum, Dóminum nostrum.
℟. Ámen.

Dom Dimas Barbosa


℣. Orémus pro Antístite nostro Dismas.
℟. Stet et pascat in fortitúdine tua Dómine, sublimitáte nóminis tui.
℣. Salvum fac servum tuum.
℟. Deus meus sperántem in te.
℣. Orémus.
Deus, ómnium fidélium pastor et rector, fámulum tuum Dismam, quem pastórem Ecclésiæ Campigrandénsis præésse voluísti, propítius réspice: † da ei, quǽsumus, verbo et exémplo, quibus præest, profícere: * ut ad vitam, una cum grege sibi crédito, pervéniat sempitérnam. Per Christum, Dóminum nostrum.
℟. Amen.

Pe. Marcelo Tenório


"Ó Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, conservai os vossos sacerdotes sob a proteção do Vosso Coração amabilíssimo, onde nada de mal lhes possa suceder.

Conservai imaculadas as mãos ungidas, que tocam todos os dias vosso Corpo Santíssimo. Conservai puros os seus lábios, tintos pelo Vosso Sangue preciosíssimo. Conservai desapegados dos bens da terra os seus corações, que foram selados com o caráter firme do vosso glorioso sacerdócio.

Fazei-os crescer no amor e fidelidade para convosco e preservai-os do contágio do mundo.

Dai-lhes também, juntamente com o poder que tem de transubstanciar o pão e o vinho em Corpo e Sangue, poder de transformar os corações dos homens.

Abençoai os seus trabalhos com copiosos frutos, e concedei-lhes um dia a coroa da vida eterna. Assim seja!
"

(Santa Teresinha do Menino Jesus)

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2 de mai de 2012

1º Domingo após a Páscoa: Dominica in Albis



Pe. Marcelo Tenório

V. Ave Maria, Gratia plena, dominus tecum, benedicta tu in mulieribus, et benedictus frutus ventris tui Jesus.
R. Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis nostræ. Amen.

A Santa Igreja celebra hoje o Dominica in Albis, o Domingo de branco. Domingo in Albis, Domingo de branco justamente pelo costume, na antiguidade, de aqueles que receberam o Batismo na Vigília Pascal retornarem no domingo seguinte revestidos com a mesma veste branca que haviam recebido no dia do seu Batismo. Voltar com esta veste branca, tendo durante a semana todo o cuidado em não manchá-la, indica para nós o Batismo que recebemos – esta roupa nova que recebemos, esta alvura brilhante que recebemos no dia de nosso Batismo, já que fomos lavados no sangue do Cordeiro – e a nossa responsabilidade de trazermos de volta estas vestes brancas do dia do Batismo e que devem continuar brancas, límpidas e puras, tal como nossa alma até o momento em que devemos nos apresentar diante de nosso Senhor.

A roupa branca, límpida e pura que recebemos no Batismo em nossa alma não é para ser manchada, não é para ser violada nem tampouco estragada; daí a nossa responsabilidade de manter bem o nosso Batismo e não nos esquecermos dele, e não nos apresentarmos diante do Supremo Juiz com as roupas velhas, esfarrapadas, podres, enegrecidas ou cheias de lama. 

E, se por acaso, no decorrer de nossa existência, tivermos, de uma forma ou de outra, manchado estas vestes brancas, que recorramos urgentemente ao augusto Sacramento da Confissão, único capaz de refazer em nós as vestes de nosso Batismo.

†††

A grande mensagem da Páscoa é justamente a mensagem da paz: “A Paz esteja contigo”. E Nosso Senhor, após dizer estas palavras que são um desejo, uma condicional – a paz esteja – logo em seguida mostra as mãos e o lado, os cravos, as chagas.

“A paz do Senhor” não é um sentimento; a paz do Senhor não é um contentamento. Estar em paz não é estar bem. Muitos estão bem e não estão em paz: pensam estar em paz porque estão bem; confundem a paz com o contentamento e com a felicidade natural. Alguém diz: “Estou em paz: consegui pagar aquela dívida que há anos vinha se arrastando”... Mas isto não é paz! Ou: “Estou em paz: criei os meus filhos e eles agora estão bem, cada um já está solidificado no mundo”... Isto não é paz! Ou: “Estou em paz porque consegui reaver tal coisa, ou fazer tal coisa.” Isto é contentamento, felicidade natural. A paz não é um sentimento, e a paz não nos é dada por coisas exteriores que possamos fazer, alcançar ou sermos premiados.

Na Vigília de Natal, a sagrada Liturgia vai nos dizer: “Ele é a nossa paz.” A paz é Nosso Senhor, a paz é Cristo ressuscitado em nós. Ora, é uma condicional – a paz esteja – se Cristo está em nós, estamos na paz. Se Cristo está em nós, a paz está em nós e estamos na graça. E, se estamos na graça, não com a ausência do sofrimento, porque, para permanecer na graça e para estar na graça, requer-se de nós justamente sofrimento no sentido de dobrarmos os nossos instintos e convertermos os nossos corações. Eis aí a paz mostrada com as chagas do Senhor.

O Domingo in Albis relembra a nossa grande responsabilidade. O que fizemos do nosso Batismo? O Domingo in Albis nos mostra que um dia estaremos diante do Supremo Juiz, de juízo reto, que nos julgará diante daquilo que nos deu. E a primeira coisa que Ele olhará em nós é justamente a nossa veste: como ela estará no dia do julgamento? Observemos, pois, o nosso Batismo – o que fizemos com as nossas vestes batismais, como estão estas vestes – e não nos esqueçamos de que, com estas vestes, nos apresentaremos um dia diante do Supremo Tribunal de Deus.

Homilia proferida em 15 de abril de 2012, primeiro Domingo após a Páscoa.  

MISSA TRIDENTINA DE TERÇA A SEXTA-FEIRA, ÀS 17H


Prezados amigos,
Salve Maria!

Excelente comunicado:

MISSA TRIDENTINA NA PARÓQUIA SÃO SEBASTIÃO

ALÉM DOS DOMINGOS, ÀS 17 HORAS,

AGORA SERÁ CELEBRADA 

DE TERÇA A SEXTA-FEIRA, TAMBÉM ÀS 17 HORAS. 


“O homem deveria vibrar, o mundo deveria tremer, o Céu inteiro deveria comover-se profundamente quando o Filho de Deus aparece sobre o altar nas mãos do sacerdote.” São Francisco de Assis.

Sobre os benefícios da Santa Missa, “Não se podem contar. Vê-lo-ás no céu. Quando assistires à Santa Missa, renova a tua fé e medita na Vítima que se imola por ti à Divina Justiça. Não te afastes do altar sem derramar lágrimas de dor e de amor à Jesus, Crucificado por tua salvação. A Virgem Dolorosa te acompanhará e será tua doce inspiração.”
São Pio de Pietrelcina

Domingo de Páscoa: “Ele não está mais aqui. Ele ressuscitou!”




Pe. Marcelo Tenório


A alegria do Domingo da Páscoa, após a Quaresma contemplando o Crucificado; a Quaresma, que nos foi proposta pela Santa Igreja para que possamos mudar a nossa vida; e, ontem, toda a Igreja diante do túmulo do Senhor, aguardando a Sua ressurreição. E, assim, a Igreja hoje pode cantar “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está o teu aguilhão?”

No santo Evangelho que acabamos de escutar, as santas mulheres com Maria Madalena vão até o sepulcro. “Quem nos retirará a pedra?” São movidas pelo amor incondicional ao Mestre, a nosso Senhor: já que não conseguiram fazê-lo devido ao Shabbat, no primeiro dia da semana se dirigem ao sepulcro e levam aromas. E, quando chegam bem próximo do local, vem a indagação: “Quem nos tirará a pedra?” Mas a pedra estava removida; era uma pedra grande. Ficam assustadas, interrogativas. E, ao olharem para dentro do sepulcro, está um belíssimo jovem do lado direito. A palavra do jovem para aquelas mulheres: “Não vos assusteis.” Ou seja: “Não temais.” As palavras de Nosso Senhor durante as aparições que iremos ver com mais precisão na Oitava da Páscoa sempre é esta, além de “A paz esteja contigo”: “Não tenhais medo, não temais, não vos assusteis.”

A morte passou; “a morte, morreu”. Cristo matou a morte! O vencedor, o poderoso das batalhas, aniquilou a morte! Desce aos infernos para abrir as portas do paraíso, para destruir o limbo dos patriarcas e, assim todos podermos entrar na glória de Deus, deslumbrarmos Sua face sagrada, deslumbrarmos o Seu rosto, gozar das alegrias de seus mistérios e do seu convívio. De forma que a Igreja, na escuridão, na penumbra do pecado original, vê aos poucos a luz de Cristo adentrando nas trevas, dissipando tudo o que era obscuro, eis que tudo fica claro: “A noite será como o dia”, canta o Precônio da Páscoa. E a Igreja está tão exultante, mas tão exultante nesta salvação, na ressurreição do Cristo, que canta: “Ó feliz culpa de Adão, que nos mereceu um grande Salvador”!

“Vocês procuram o crucificado?” Perguntou o jovem. Era um anjo; mas por que jovem? São João viu um ancião, não um jovem. Nas suas visões em Apocalipse, São João verá sempre um ancião; aqui é um jovem. É um anjo, jovem, resplandecente do lado direito. “O Crucificado, vocês procuram? “Ele não está mais aqui. Ele ressuscitou!”

Na santa Missa de sempre [n.d.r.: Missa Tridentina], encontramos entre muitos grandes significados, o do lado direito e do lado esquerdo do altar. O lado da Epístola é justamente o do oriente [n.d.r.: a direção da Terra Santa], de onde vem para nós esta luz da verdade. E o Evangelho é proclamado aos incrédulos, aos pagãos, àqueles que precisam de conversão; por isto, a estante do Evangelho, do lado esquerdo do sacerdote, está sempre inclinada, não reta, como do lado direito do sacerdote. Por quê? Porque esta inclinação quer mostrar para nós que a palavra de Deus “se derrama”, o Ressuscitado deve ser conhecido pela sua palavra e a sua palavra aceita gera conversão e mudança de vida. O anjo está do lado direito do altar, não do lado esquerdo, pois do lado direito é de onde vem a salvação.

“O que vocês procuram aqui? O crucificado? Ele já não está mais aqui, Ele ressuscitou.” Cristo não está nos mortos! Cristo não está entre aqueles que desceram aos infernos. De forma alguma! Ele ressuscitou! E por isso nós somos chamados a ressuscitar. São Paulo nos diz: “Se ressuscitastes com Cristo, vós estais mortos.” Então, nós morremos [n.d.r.: para o mundo] no dia de nosso Batismo; mas, “Se ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto”, não as coisas baixas. Quem está no alto? Deus. Quem está no baixo? O demônio. Então, buscai as coisas do alto, onde Deus está! Porque a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.

E, na Epístola da santa Missa de hoje, vimos isso muito claramente: “Irmãos, purificai-vos do velho fermento.” É Páscoa! Não podemos colocar remendo novo em roupa velha, de forma alguma. Se ressuscitamos com Cristo pelo Batismo, é Páscoa em nós e já não podemos buscar o velho fermento. Muito pelo contrário! Busquemos o fermento novo, um fermento puro, a fim de que, conformando-nos a Ele, que é a vida, possamos em cada instante, em cada momento da nossa existência, viver a Páscoa em nossa alma, em nossa vida.

É sempre Páscoa na vida dos santos; embora haja tristezas, dissabores, sofrimentos, incompreensões e abandonos, é sempre Páscoa na vida dos santos. Ontem, a Igreja invocava a todos os santos, para que fizessem conosco a Vigília Pascal. Todos os santos viveram nas suas vidas a Páscoa do Senhor; desejaram ardentemente esta Páscoa e deram-se totalmente a fim de que, a cada instante, o Ressuscitado tomasse conta de suas vidas, de suas entranhas, de suas células, de todo o seu ser. A tal ponto que Santa Teresa d’Ávila pôde exclamar: “Morro porque não morro; vivo, mas já sem viver em mim”.

O desafio de cada um de nós, enquanto católicos, enquanto cristãos, é, justamente, seguir esta palavra do santo Evangelho, de não ficarmos entre os mortos, porque Ele não está entre os mortos – “Por que procurais aqui? Ele não está, Ele ressuscitou.”; e viver o que diz o Apóstolo – buscar as coisas do alto, ser o fermento novo, viver realmente a vida de ressuscitado. Porque viver a vida de ressuscitado é viver a morte batismal, a morte para o mundo, a morte para a concupiscência, a morte para tudo aquilo que nos afasta de Deus.

“Vós estais mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.”

Homilia proferida em 8 de abril de 2012, no Domingo de Páscoa.
30 de abr de 2012

Missa da Noite de Páscoa: “Por que buscai entre os mortos Aquele que vive?"



Pe. Marcelo Tenório

Hoje a Igreja celebra a Ressurreição do Senhor. No Evangelho que acabamos de escutar, Maria Madalena com outras mulheres vai ao túmulo de Cristo. A pedra está removida; um anjo resplandecente, dirigindo-se às mulheres, lhes diz: “Não temais; sei que buscai a Jesus, que foi crucificado; Ele não está mais aqui”. A grande mensagem da Páscoa é justamente esta do anjo: “Por que buscai entre os mortos Aquele que está vivo? Jesus de Nazaré, o crucificado, não está mais aqui.” “Ele não está mais aqui, Ele ressuscitou.”

E São Paulo vai nos falar que a nossa vida está escondida com Cristo em Deus. E, se a nossa vida está escondida com Cristo em Deus, devemos buscar as coisas do alto – onde Deus está – e não as coisas baixas.

Maria Madalena com as santas mulheres, de forma extremamente caridosa, vai atrás do corpo de Jesus, para justamente ungi-lo, já que não deu tempo por ser sábado, e o anjo lhes replica: “Por que buscai entre os mortos a Jesus de Nazaré, aquele que foi crucificado? Ele não está mais aqui.” Ele não está mais aqui!

“Buscai as coisas do alto, não as coisas de baixo, porque a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.” A nova vida, a vida verdadeira, está escondida com Cristo em Deus. Esta é a grande mensagem da Páscoa para nós. Não podemos continuar mergulhados em nossos pecados, em nossas resoluções mesquinhas. As mulheres são convidadas a não buscar entre os mortos; as mulheres são convidadas a olhar para o alto. A pedra é removida; aquilo que pesava, que prendia, agora é retirado. O véu que separava, agora já não pode mais separar. 

A nossa vida está escondida com Cristo em Deus: por que procurais entre os mortos aquele que vive? Ele está aqui! Ressuscitou, como disse [alusão a um verso da Antífona Pascal Regina Cæli, n.d.r.]

Homilia proferida em 7 de abril de 2012, noite de Páscoa. 
27 de abr de 2012

Sexta-Feira Santa: "Recebei-nos também, ó Mãe, em vossos braços como O tendes recebido; trôpegos são os nossos passos Mãe, como nós temos vivido."


Pe. Marcelo Tenório

Hoje, a Igreja celebra a Paixão e Morte de Nosso Senhor. O mistério da Paixão é o mistério do amor de Deus para conosco. O salmo interroga: “Quem é o homem, Senhor, para que dele Vos preocupeis?”. Não somos nada, em nada aumentamos a glória de Deus. E Ele nos criou para Ele. E, ao nos criar para Ele, nos predestinou a viver a Sua vida, a participar da Sua divindade. E assim as Sagradas Escrituras nos dizem “Vós sois deuses” no sentido de participação na divindade do Deus único, do Deus excelso, do Deus verdadeiro que se torna homem como nós e assume a nossa humanidade, a fim de que a salvação, o resgate a preço de sangue aconteça. E a vítima verdadeira é Ele, que se entrega e se dá. Nosso Senhor não é um mártir igual aos outros mártires por que Ele se dá, Ele se entrega.

No Evangelho solene de São João, quando os guardas chegam ao horto das Oliveiras, Jesus os interroga: “A quem procurais?” “A Jesus de Nazaré”, eles respondem; e Jesus lhes diz: “Sou Eu”, ou “Eu Sou”, e de repente eles caem por terra. É o mesmo nome que Deus responde a Moisés, na sarça ardente, que havia perguntado a Ele “Quem és Tu? O que direi ao faraó, qual o teu nome?” e Deus responde a Moisés: “Eu Sou”, “Javé”, “Yahweh”. Quando os judeus, zelosos em suas tradições, zelosos em sua religião, que acusavam Nosso Senhor de blasfemo por se dizer Filho de Deus, se aproximam para prendê-lo com paus e armas e, à frente estava Judas, o traidor, e escutam da boca do Salvador: “Eu Sou”, o mesmo nome sagrado de Deus. Eles caem por terra, a força deste nome é tamanha que caem por terra, como que jogados por terra. Isso três vezes, em sinal de divindade, de perfeição, de autoridade. Novamente, Jesus pergunta: “A quem procurais?” “A Jesus, o Nazareno.” “Já vos disse: ‘Eu Sou’”; eles caem novamente, como se a terra tremesse, e eles são jogados ao chão. E, pela terceira vez, a mesma coisa. Isto nos indica que Ele é o Deus verdadeiro. E não são os carrascos, não são os fariseus, não são os guardas do templo que prendem Jesus ou que põem suas mãos nEle: Ele se entrega, porque se Ele não quisesse, bastava o sopro de Sua boca, como diz o profeta Isaías: “A palavra de sua boca ferirá o avarento, o violento sopro de seus lábios”. Ele se entrega “Ninguém tira a minha vida”, diria o Senhor, “Eu vo-la dou.”

Nesse dia solene, sagrado para nós Cristãos, Nosso Senhor dá a Sua vida como o pelicano que, em falta da comida para seus filhotes, com o seu bico pontiagudo rasga o seu peito, tira um pedaço de carne de si e entrega a seus filhotes, para que não morram de fome. Assim fez Nosso Senhor ontem, na Última Ceia, a primeira Missa que Ele rezou. A primeira Missa: a vítima que se oferece, que se dá, que se entrega... Nos ritos antigos, o sacrifício consistia não na morte da vítima – a morte era consequência – mas no derramamento de sangue e, para isso, era necessário sacudir a vítima: o boi, o cabrito, ou oferendas menores, eram sacudidos porque isto agitava o sangue, propiciando uma melhor de aspersão deste sangue sobre o altar do sacrifício. Também no Ofertório da Missa, no momento em que o sacerdote oferece na patena a hóstia, ele agita este sacrifício com o sinal da cruz; da mesma forma que se agitava o animal nos sacrifícios antigos para que o sangue jorrasse a qualquer momento e a qualquer corte, também a vítima na Santa Missa é agitada, visto que, para nós, Ele é o perfeito cordeiro que se oferece.  

E ontem Ele se ofereceu, antecipando este momento de hoje. A Missa é a memória, a renovação, em nossos altares, do mesmo sacrifício do calvário; não outro, mas este mesmo sacrifício do calvário do qual, hoje, pelo mistério da Sagrada Liturgia, estamos próximos, ao lado do Senhor na Sua angústia, ao lado do Senhor em Suas dores, ao lado do Senhor no Seu abandono. Ninguém ficou ao seu lado, nem João. Nem João, o discípulo mais amado; nem ele ficou; todos correram apavorados, com medo, todos foram embora. Pedro negará Jesus diante de uma serviçal do templo e de outros; e os demais, cada um, procuram livrar-se da condenação que pesam sobre eles por serem discípulos ou apóstolos do Senhor. Para onde teria ido João? Não sabemos; tudo indica que para a casa das Santas Mulheres. E, com elas, com certeza estava Maria, Nossa Senhora, que já sabia o que a aguardava desde o dia da profecia de Simeão e, até aquele momento, Ela espera esta hora, Ela deseja que chegue esta hora: a hora da entrega, do sacrifício, a hora em que seu Filho, o Cordeiro Santo, irá remir os pecados da humanidade inteira como aquele bode expiatório, que os antigos usavam para, sobre ele, invocar os pecados de toda a comunidade dos judeus, e lançarem este bode à sorte no deserto para morrer, significando que levava todos os pecados. Por isto este bode expiatório. Por isto São João Batista pôde dizer: “Ecce Agnus Dei”. Aí está o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. 

E esta salvação se alarga hoje na morte daquele que, sendo Deus, não pode morrer, mas morreu verdadeiramente, padecendo as nossas dores, padecendo os nossos sofrimentos. Fisicamente igual a nós em tudo, morreu da nossa morte para que pudéssemos ter a Sua vida.

Então, o mundo volta-se ao nada: “Deus está morto!” “Deus está morto.” “Deus está morto...” Deus morre por amor de cada um de nós. “Pai, em tuas mãos, Eu entrego meu espírito”, disse Jesus. Veio do Pai, como dom dado de Deus para nós, e ao Pai Se entrega: “Em tuas mãos; tudo está consumado. Tudo terminei, agora tudo Te entrego.” A glorificação do Filho está no Pai, em fazer a Sua vontade. A glorificação do Pai está na vontade perfeita do Filho: o Filho que glorifica o Pai, o Pai que é glorificado neste mistério da cruz.

Deus que morre. Deus que desce aos infernos e, lá nos infernos, vai anunciar a salvação. Todos desejavam esta hora, desde os patriarcas, desde a época de Noé, desde a época de Abraão, de Isaac, de Jacó, desde a época dos profetas – todos, no limbo, esperavam este momento, o momento da redenção. À porta que estava fechada e ao selo que selava esta porta do paraíso, o sangue do Cordeiro abre; a porta é escancarada, a salvação concretiza-se, e o véu que separava é rasgado de cima a baixo na morte do Senhor. Aquele véu do templo que se rasga de cima a baixo, o véu que separava uma aliança de outra, agora é uma aliança eterna. Cristo que entra no templo não construído por mãos humanas, como fala São Paulo aos Hebreus, mas uma vez só; não com sacrifícios de touros ou sangue de cabritos, mas Ele se dá, o seu sangue é derramado de uma vez por todas. E, assim, a humanidade é salva, assim a redenção atinge todo o orbe da terra; não só o homem, mas toda a criação gemia, esperando este momento da redenção, este momento que se alarga e é derramado a todos os homens.

Entretanto, é necessário que assumamos esta salvação. Ele se dá, Ele salva, não a todos, mas a muitos: o sangue é dado por muitos, não por todos. E por que não por todos? Porque nem todos darão ouvidos, nem todos darão a sua adesão a esta salvação.

E, ao lado de Jesus, está Maria; e, ao lado de Maria, as santas mulheres; e, com as santas mulheres e com Maria, João, o discípulo amado. Nos últimos momentos, o testamento de Jesus: “Mulher, eis aí o teu filho. Filho, eis aí a tua mãe.” Maria recebe João e, em João, a Igreja inteira e os membros desta Igreja. João recebe Nossa Senhora e, em João, nós também A recebemos.

E podemos também contemplar a cena belíssima de Jesus descendo da cruz, já sem vida, desfigurado, massacrado nos braços da Mãe. Que dor para Nossa Senhora! Quantas lembranças, quantas recordações! Ela poderia muito bem dizer a Madalena: “Madalena, sustenta os pés, pois eles não se esqueceram dos aromas da urna de alabastro.” “João, sustenta a cabeça, que a tua repousou tão docemente em Jesus no último banquete.” Mas é a Mãe que recebe nos braços o Filho sem vida. 

Recebei-nos também, ó Mãe, em vossos braços como O tendes recebido; trôpegos são os nossos passos, Mãe, como nós temos vivido.

Sermão proferido na Sexta-feira da Paixão, em 6 de abril de 2012.

26 de abr de 2012

Missa da Ceia do Senhor: “A Missa é o calvário todo. E a minha responsabilidade é única no mundo.”


Clique aqui para visualizar as imagens da Missa da Ceia do Senhor.

Pe. Marcelo Tenório

V. Ave Maria, Gratia plena, dominus tecum, benedicta tu in mulieribus, et benedictus frutus ventris tui Jesus.
R: Sancta Maria, mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis nostrae. Amen.

V. Ora Pro nobis sancta Dei Genitrix,
R: Ut digni efficiamur promissionibus Christi.

A última Ceia do Senhor, a Missa In Cœna Domini, é um momento de júbilo e um momento de profundo pesar, de uma profunda tristeza. De júbilo, porque o Senhor instaura o Seu sacrifício, o mistério da Missa - é a Missa que Ele celebra. E, nesta Missa, Ele se dá: não mais os cordeiros antigos, não mais o sangue de touros e de cabritos, mas dEle mesmo que se entrega em resgate. É a primeira Missa que Nosso Senhor celebra como Sumo e eterno Sacerdote. Por isso, São Paulo vai dizer aos hebreus que Nosso Senhor não entrou no santuário construído com mãos humanas, mas de uma vez por todas Ele, como sacerdote eterno, como vítima, com Seu próprio sangue, entra no Santo dos Santos uma só vez e, assim, resgata por um só ato a humanidade inteira.

É júbilo porque a Missa nos é dada e por que a Santíssima Eucaristia é entregue à Igreja para que, renovando este gesto, possamos nós, da Igreja militante continuar na história, até a consumação dos séculos, este memorial da paixão, morte e ressurreição. Padre Pio respondeu alguém que o interrogou sobre o que é a Missa: 

“A Missa é o calvário todo. E a minha responsabilidade é única no mundo.”

 Também hoje, Nosso Senhor nos dá o mandamento do amor. E este mandamento do amor é o “amar a Deus sobre todas as coisas”. E é neste amar a Deus sobre todas as coisas que o Filho nos dá este exemplo, fazendo a vontade do Pai, e se entrega até a morte e morte de cruz, como cantávamos antes do evangelho: “Cristo se fez por nós obediente até a morte, e morte de Cruz, e por isso Deus o exaltou e deu o nome acima de todo o nome”.

Também, a instauração do sacerdócio católico. Hoje, nosso Senhor não só nos deixa a Eucaristia, o Seu sacrifício; não só nos dá o Seu mandamento de amor, mas também instaura o Seu sacerdócio. E, como dizia muito bem o nosso Arcebispo Dom Dimas na Missa dos Santos Óleos: “O sacerdote não é apenas um alter Christus, um outro Cristo; o sacerdote, na verdade, é Cristo, porque o sacerdote empresta a Nosso Senhor suas mãos, sua voz, todo o seu ser, todo o seu corpo, para que, através destas pessoas ungidas, Cristo continue a governar, a santificar e a ensinar.”

Era São João Maria Vianney que dizia: 

“Ide aos anjos e pedi a eles o perdão dos pecados, e eles vos dirão: não podemos. Ide aos anjos e pedi a todos eles que vos dê o pão do céu, e eles responderão: não podemos. Ide à Santíssima Virgem e pedi também o perdão dos pecados e o Pão do Céus, e a Santíssima Virgem responderá: não posso. Mas, ide ao mais simples dos sacerdotes, santo ou pecador; só ele poderá responder: teus pecados estão todos perdoados.”

 Eis o júbilo da festa de hoje, acompanhado pelos sinos e pelo Gloria. Mas, daqui a pouco, Nosso Senhor se despede e vive aquilo que O espera: o martírio, o calvário, o abandono. E, então a Igreja entra no sofrimento do Senhor e convida a todos nós a estarmos juntos com Ele no Getsêmani, a não abandoná-lo, a não deixá-lo sozinho. Todos foram embora, ninguém ficou. Até mesmo João, que volta depois; mas, naquele momento todos vão embora. João não ousa, em nenhum momento, dizer: “Que me preguem na cruz com o meu Senhor”. Apenas some, desaparece. Cristo está só, mas Sua Mãe Santíssima, com certeza, o acompanha de longe, talvez sem nem saber onde seu Filho estava preso, onde seu Filho se encontrava, mas Ela estava unida a Ele. Os demais fugiram apavorados diante do aparente fracasso de Nosso Senhor; este fracasso que vai ser aniquilado com a vitória da cruz no Sábado Santo, aos primeiros raios de sol do Domingo da Páscoa.

Este momento, para nós, é um momento sagrado, é um momento sublime, em que podemos contemplar Nosso Senhor em dois aspectos: na sua profunda alegria em ter consumado tudo e feito a vontade do Pai ao extremo, como João vai nos falar “Amou-nos até o fim” – In fine dilexit – mas também na angústia, na dor, na desolação que cairá sobre Ele.

E o que nós sabemos? 

Que o peso da cruz é o nosso peso, que somos nós que lhe pesamos na cruz. O Seu suor com sangue é por causa dos nossos pecados: somos nós que Lhe pesamos, somos nós que aumentamos as Suas angústias. Não foram os demônios que condenaram Jesus à morte, fomos nós: nós o condenamos, nós somos os responsáveis pela Sua morte e – o pior – nós somos responsáveis pela Sua paixão, que se arrasta até o fim dos séculos em cada pecador que se obstina no pecado, até em nós quando continuamos imersos em nossas falhas, em nossas podridões, ou até mesmo em pecados veniais que, diante de Deus e diante daquilo que Ele deseja para nós – a perfeição e o Céu – não deixa de ser atraso e empecilho contra o testemunho do primeiro amor, do primeiro Mandamento que é amar a Deus sobre todas as coisas, e do mandamento de amarmos ao próximo como, ou – às vezes, ou muitas vezes, ou quase sempre – mais que a nós mesmos.

 Que esta santa Missa in Cœna Domini abra para nós a porta das graças de Deus, a fim de que, neste Tríduo Santo, tenhamos a graça das graças, que é perseverar até o fim, até o último instante da nossa vida, como costumo dizer: “A graça não é começada em mim, a graça é terminada em mim.” Se começamos bem e não terminamos bem o que fizemos, acontece o que São Domingos Sávio dizia: “Se no final de minha vida não tiver me tornado santo, foi inútil ter passado por esta vida.”

Acompanhemos Jesus em cada instante, em cada momento, em Sua paixão que se abre nesta Última Ceia, ao lado de São João, o discípulo que Ele mais amava; ao lado de São Pedro que, apesar de seu temperamento, amava a Nosso Senhor; ao lado dos demais; mas, entre eles, estava Judas, o traidor, aquele que seria melhor nunca ter nascido.

Homilia proferida no dia 5 de abril de 2012, Missa da Ceia do Senhor (Lava-pés).





Domingo de Ramos: "Se queremos segui-Lo, preparemo-nos para a cruz, para o martírio, para as dores..."


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Pe. Marcelo Tenório

Entramos na Paixão de Nosso Senhor, o 2º Domingo da Paixão, o Domingo de Ramos. É neste Domingo que a Igreja canta, anuncia a Paixão de Nosso Deus. Um Deus que nos amou até o fim, até a morte, e morte de cruz.

Ao chegarmos diante da Igreja fechada, podemos contemplar o paraíso fechado pela culpa de um só homem, do velho Adão. Poderíamos contemplar o limbo dos patriarcas, o limbo dos santos onde todos aguardavam o momento da Salvação. É a porta que está fechada, a porta selada pelo pecado de um só homem. Pela obediência do novo Adão, de Cristo Deus, a porta é aberta e jamais será fechada. São as portas do Reino, do Paraíso que se abrem para todos aqueles que desejarem por ela entrar.

O 2º Domingo da Paixão, de Ramos, deve ser para nós esta porta aberta que nos convida a deixar a vida velha, o pecado de Adão, para podermos cravar a cruz de Cristo, que é a nossa ressurreição, sobre o crânio do antigo Adão. Como alguém já dizia: “Santo sepulcro, eis a cova; nela é deitado o homem velho: o homem velho seja abandonado na cova, e que saia o homem novo deixando aos vermes o pecado.”

Que possamos, neste dia santo, neste dia de reflexão, diante deste imenso amor de Deus por nós – que não precisava, mas quis nos amar -, responder com prontidão, como São Pedro após a negação: “Senhor tu sabes tudo de mim, tu sabes que eu Te amo.”

Na narrativa da Paixão, Cristo pergunta a Judas “Amigo, a que vieste?”  A mesma pergunta Nosso Senhor faz a cada um de nós: “Por que estais aqui? Por que vieste me ver?” Vamos dar nós o beijo traidor na face do Mestre, ou vamos segui-Lo a cada ponto, a cada instante, a cada dor, até a glória da ressurreição?

Se queremos segui-Lo, preparemo-nos para a cruz, para o martírio, para as dores. Não faltarão conosco os cirineus. As trevas, vez ou outra, se transformarão em luz; a dor não será tirada, mas aliviada. Entretanto, depois desta caminhada, lá longe, contemplaremos o mistério da Paixão, a cruz do Senhor. Do Rei avança o estandarte, fulge o mistério da cruz.

Homilia proferida em 1º de abril de 2012, Domingo de Ramos.