Horários de Missa
CAMPO GRANDE/MS
Paróquia São Sebastião
Paróquia São Sebastião
DOMINGO
16:30h - Confissões
17h - Santa Missa
17h - Santa Missa
TERÇA A SEXTA-FEIRA
(exceto em feriados cívicos)
11h - Santa Missa
1º SÁBADO DO MÊS
16h - Santa Missa
11h - Santa Missa
1º SÁBADO DO MÊS
16h - Santa Missa
Marcadores
- Adoração ao Santíssimo (1)
- Apresentação (1)
- As Quatro-Têmporas (39)
- Avisos (66)
- Catequese para a Missa (18)
- comportamento na Missa (2)
- Devoções (11)
- Domingos do Tempo Após Epifania (5)
- Domingos do Tempo Após Pentecostes (57)
- Domingos do Tempo da Paixão (6)
- Domingos do Tempo da Quaresma (8)
- Domingos do Tempo da Septuagésima (6)
- Domingos do Tempo de Páscoa (13)
- Domingos do Tempo do Advento (9)
- Férias da Quaresma (39)
- Férias do Tempo da Paixão (26)
- Férias do Tempo de Páscoa (3)
- Férias Mais Importantes (5)
- Festa do Padroeiro (2)
- Festas de Guarda (24)
- Festas de Guarda Coincidentes com o Domingo (1)
- Festas de Guarda Solenizadas no Domingo (9)
- Festas de Nosso Senhor (21)
- Festas Mais Importantes (20)
- Festas Particulares de Ordens Religiosas (1)
- Festas que Coincidem com o Domingo (10)
- Festas Transferidas da Semana Santa (1)
- Homilias do Pe. Marcelo Tenório (47)
- Indulgências Plenárias (4)
- Ladainhas Menores (2)
- Liturgias da Semana da Paixão (8)
- Liturgias da Semana Santa (19)
- Liturgias das Férias da Quaresma (43)
- Liturgias das Férias do Tempo da Paixão (22)
- Liturgias das Férias do Tempo de Páscoa (4)
- Liturgias das Férias Mais Importantes (29)
- Liturgias das Festas de Guarda (16)
- Liturgias das Festas de Guarda Solenizadas no Domingo (8)
- Liturgias das Festas Mais Importantes (17)
- Liturgias das Quatro-Têmporas (27)
- Liturgias do Tríduo Pascal (11)
- Liturgias Dominicais (111)
- Missas de Nossa Senhora no Sábado (5)
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- Santos do mês 10 - Outubro (29)
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- Semana Santa (24)
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- Tempo da Ascensão (4)
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- Têmporas de Setembro (6)
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- Tríduo Pascal (15)
- Vigílias de Festas (1)
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- Santo do Dia (Vigília) - Terça-Feira, 09/08/2016
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- Santos do Dia - Domingo, 07/08/2016 - 1ª Parte
- 12º DOMINGO APÓS PENTECOSTES - 07/08/2016 - Leitur...
- Santos do Dia - Sábado, 06/08/2016
- Festa Litúrgica do Dia - Sábado, 06/08/2016
- Festa Litúrgica do Dia - Sexta-Feira, 05/08/2016
- Santo do Dia - Quinta-Feira, 04/08/2016
- Santos do Dia - Terça-Feira, 02/08/2016 - 2ª Parte...
- Santos do Dia - Terça-Feira, 02/08/2016 - 1ª Parte...
- Santos do Dia - Segunda-Feira, 01/08/2016
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Agosto
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Postagens populares
Nossa Sr.ª das Graças
Ave Maria, gratia plena;
Dominus tecum:
benedicta tu in mulieribus,
et benedictus fructus
ventris tui Iesus.
Sancta Maria, Mater Dei
ora pro nobis peccatoribus,
nunc et in hora
mortis nostrae.
Amen.
Papa Francisco
℣. Orémus pro Pontífice nostro Francísco.
℟. Dóminus consérvet eum, et vivíficet eum, et beátum fáciat eum in terra, et non tradat eum in ánimam inimicórum ejus.
℣. Tu es Petrus.
℟. Et super hanc petram ædificábo Ecclésiam meam.
℣. Oremus.
Deus, ómnium fidélium pastor et rector, fámulum tuum Francíscum, quem pastórem Ecclésiæ tuæ præésse voluísti, propítius réspice: † da ei, quǽsumus, verbo et exémplo, quibus præest, profícere: * ut ad vitam, una cum grege sibi crédito, pervéniat sempitérnam. Per Christum, Dóminum nostrum.
℟. Ámen.
Dom Dimas Barbosa
℣. Orémus pro Antístite nostro Dismas.
℟. Stet et pascat in fortitúdine tua Dómine, sublimitáte nóminis tui.
℣. Salvum fac servum tuum.
℟. Deus meus sperántem in te.
℣. Orémus.
Deus, ómnium fidélium pastor et rector, fámulum tuum Dismam, quem pastórem Ecclésiæ Campigrandénsis præésse voluísti, propítius réspice: † da ei, quǽsumus, verbo et exémplo, quibus præest, profícere: * ut ad vitam, una cum grege sibi crédito, pervéniat sempitérnam. Per Christum, Dóminum nostrum.
℟. Amen.
Pe. Marcelo Tenório
"Ó Jesus, Sumo e Eterno Sacerdote, conservai os vossos sacerdotes sob a proteção do Vosso Coração amabilíssimo, onde nada de mal lhes possa suceder.
Conservai imaculadas as mãos ungidas, que tocam todos os dias vosso Corpo Santíssimo. Conservai puros os seus lábios, tintos pelo Vosso Sangue preciosíssimo. Conservai desapegados dos bens da terra os seus corações, que foram selados com o caráter firme do vosso glorioso sacerdócio.
Fazei-os crescer no amor e fidelidade para convosco e preservai-os do contágio do mundo.
Dai-lhes também, juntamente com o poder que tem de transubstanciar o pão e o vinho em Corpo e Sangue, poder de transformar os corações dos homens.
Abençoai os seus trabalhos com copiosos frutos, e concedei-lhes um dia a coroa da vida eterna. Assim seja!"
(Santa Teresinha do Menino Jesus)
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14 de mai. de 2012
4º Domingo após a Páscoa: "A verdade é imutável. Deus não muda, Ele é a própria Verdade."
09:56 | Postado por
Sacerdos |
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| Ego Sum Via Veritas et Vita |
Pe. Marcelo Tenório
V. Ave Maria, Gratia plena,
dominus tecum, benedicta tu in mulieribus, et benedictus fructus ventris tui,
Jesus.
R: Sancta Maria, mater Dei, ora
pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis nostræ. Amen.
V. Ora Pro nobis, Sancta Dei
Genitrix
R: Ut digni efficiamur
promissionibus Christi.
Mais
uma Santa Missa dominical na qual Cristo se dá por nós; é a renovação do
mistério da cruz. A santa Missa é sempre a renovação do mistério da cruz, de
forma que ir à Santa Missa nada mais é do que estar ao lado do Senhor na Sua paixão,
morte e ressurreição. São Pio [n.d.r.: de Pietrelcina] que entrava em êxtase na Santa
Missa, chorava muito ao celebrá-la. Alguém lhe perguntou: “Por que o senhor
chora tanto?” “Por causa da ingratidão dos homens.” E é verdade. Quantas e
quantas Missas são celebradas no altar do calvário, no altar de Deus, ante a
indiferença dos homens? É a Missa que crava no crânio de Adão a destruição da
morte; a morte “morre” pelo sacrifício de Cristo na cruz. Por isso o véu do
templo é rasgado; aquilo que impedia e nos separava da graça, agora é
destruído, porque Cristo nos salva definitivamente por este mistério da cruz.
No
santo Evangelho, Nosso Senhor promete a vinda do Espírito Santo e anuncia a sua
retirada visível deste mundo: “Vou ao Pai; se eu não for, Ele não poderá vir,
mas se eu for, enviarei o Espírito Santo, o Paráclito”. O Espírito Santo é
enviado pelo Pai e pelo Filho. O Espírito Santo, como sabemos muito bem pela
nossa catequese, não é uma pomba, não é uma força, uma nuvem, um vento
impetuoso. O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Santíssima Trindade, é Deus
verdadeiro. É a expiração do amor entre o Pai e o Filho, entre o Filho e o Pai.
O Espírito Santo é chamado “o dom”, mas também é chamado “o amor”, o amor com o
qual o Pai ama o Filho, o amor do Filho para com o Pai. E, como só pode existir
um Filho – porque Cristo é o Filho, então o Espírito Santo não é “filho” do Pai
– o Espírito Santo é a expiração deste amor entre a Primeira e a segunda Pessoas
da Trindade.
O
Espírito Santo é prometido por Jesus: “Muitas coisas tenho ainda a vos dizer,
mas não compreendereis agora; mas, quando vier o Paráclito, o Consolador, Ele
vos ensinará todo o resto, Ele vos recordará todas as coisas.” Este é o
Espírito Santo, que procede do Pai e do Filho, e com o Pai e o Filho é adorado
e glorificado. É o Espírito Santo que pairava sobre as águas quando não existia
nada. É o Espírito Santo que desceu ao ventre santíssimo da Virgem no momento
da concepção do Cristo. É o Espírito Santo que descerá em Pentecostes, que desceu
sobre a Igreja nascente, sobre os Apóstolos. É o Espírito Santo que desceu
sobre nós no dia de nosso Batismo com profusão e pôs em nossa alma os dons
infusos, as virtudes teologais da fé, da esperança e da caridade. E este
Espírito Santo que já recebemos continua agindo, falando, orientando,
conduzindo e santificando através da Santa Igreja, que possui em plenitude o
Espírito Santo.
Então
este Cristo que sobe ao Pai, continua presente, governando, ensinando e
santificando através da Santa Igreja. E aí é que está a perfeita unidade
católica, esta unidade que está para o coração da Santíssima Trindade – Pai,
Filho e Espírito Santo – que nos revela, através das Sagradas Escrituras, da Tradição
Apostólica e do Magistério, a verdade.
E só a Igreja possui esta verdade. Não
existem várias verdades! Se há duas pessoas que estão discordando sobre um
ponto, entre elas uma está com a verdade, pois a verdade não pode ser relativa.
“A verdade é aquilo em que eu creio...” De forma nenhuma! Não é o que você crê
que torna aquilo verdadeiro ou falso, mas é o que realmente é! Então a verdade
é objetiva e não subjetiva; ela não está no sentimento, no coração, no
“achismo” de um e de outro, não! Do meu lado esquerdo há um Círio pascal, uma
vela grande, é uma vela. Alguém poderia dizer: “não é uma vela, é um lampião”,
mas na verdade não é um lampião ou qualquer outro objeto, é uma vela: os
acidentes são de vela, a sua essência é cera, há um pavio ao meio, em cima há
chama, então é vela! Então, as pessoas que discordam que aqui do meu lado há
uma vela não há outra solução para elas do que se converterem à verdade
objetiva. “Mas eu senti que poderia ser tal coisa...” Ah, pareceu-te... Mas
isso não justifica, não muda a verdade objetiva!
A
verdade é imutável. Por isso Deus não muda, porque Ele é a própria Verdade. “O
que a Igreja acreditava ontem, hoje não pode mais crer, porque os tempos
mudaram, estamos em tempos modernos...” De forma alguma! Deus não muda. Não é
Deus que tem que Se converter ou Se modificar por causa dos tempos ou da
humanidade, mas é a humanidade e o tempo que têm de se converter nesta verdade
objetiva, inalterável, inequívoca de Deus que está presente só – e somente,
apenas – na Igreja.
Por
isso o ecumenismo, como é pregado atualmente, é falso em si mesmo, porque não
se pode colocar o erro ao lado da verdade. Só existe uma verdade: Nosso Senhor
Jesus Cristo. Só existe um caminho: Nosso Senhor Jesus Cristo. Só existe uma
vida: Nosso Senhor Jesus Cristo. E os budistas? Que se convertam a Nosso Senhor
Jesus Cristo! E os muçulmanos? Que se convertam a Nosso Senhor Jesus Cristo! E
como se converterão? Primeiro, pelo testemunho de vida, de fé, dos bons
católicos. Segundo, pelo nosso trabalho missionário; a Igreja é essencialmente
missionária. Deus não disse: “Ide e dialogai”. Na pessoa do Filho, Deus nos
manda ensinar, ensinar a verdade, a verdade sobre Deus, sobre o homem, a
verdade sobre o mundo. De forma que os princípios ecumênicos e o ecumenismo exacerbado
como se percebe lá fora, pondo em pé de igualdade Deus e Maomé – até poderíamos
dizer, pondo em pé de igualdade Deus e o demônio – “verdades” falsas, não se
sustentam de forma alguma. Porque Cristo é o Senhor, e é a Ele que devemos
recorrer, e é a esse Senhor – e Ele mesmo nos fala: “Quando eu for elevado,
atrairei todos a Mim” – que a humanidade inteira deve acorrer. “Mas isso é para
os cristãos...” “Isso é somente para os católicos...” De forma alguma! É para a
humanidade inteira. Não existe outra verdade senão a verdade católica. Cristo,
caminho, verdade e vida, brilha, resplandece, na face da Sua Igreja.
O
Espírito Santo, que é derramado em Pentecostes, inaugura de forma solene a
Igreja. E o que é a Igreja? A Igreja é o corpo místico de Cristo, da qual Ele é
a cabeça e nós somos os Seus membros. Nós recebemos de Cristo toda a seiva,
como o ramo recebe da sua videira. E esta verdade de Cristo deve nos atingir de
tal forma que possamos em todos os momentos, até nos momentos difíceis,
permanecermos firmes na fé, agarrados à Tradição dos Apóstolos, não ao “tradicionalismo”
– porque até os pagãos são tradicionalistas – mas à Tradição Apostólica, às Sagradas
Escrituras (como interpretadas pela Igreja) e ao Magistério perene da Santa
Igreja. E, assim, estaremos seguros, estaremos imersos nesta verdade de Cristo
que brilha na face da Igreja.
“Ah,
mas são muitos que já não acreditam nisto...” Mas a verdade não é diagnosticada
pela quantidade de pessoas. A verdade não depende de números! Não estamos numa “democracia
cristã”! O Cristianismo não é democrático! A Igreja não é democrática! Deus não
é democrático! A família não deveria ser democrática. Este é o princípio da
autoridade. Ninguém aqui pediu para nascer, Deus não fez um plebiscito para
saber se você queria isso ou aquilo nas leis imutáveis da natureza ou das leis divinas;
simplesmente estamos, e temos que obedecer. “Ah, eu sou livre para isso, para
aquilo...” Mentira! Mentira... Se você é livre para tanta coisa, seja livre
para não respirar! Faça “uma revolução contra o ar que você respira” para ver o
que sobra de você; não sobrará muita coisa, porque morrerá e perecerá! De forma
que a verdadeira liberdade do homem consiste em aderir justamente a Cristo Caminho,
Verdade e Vida, e crescer neste mesmo Caminho, nesta mesma Verdade e nesta
mesma Vida, que é Cristo nosso Senhor. E, quanto mais estamos em Deus, em
Cristo, no coração da Trindade, mais o Paráclito vai “derramando em nós um novo
envio, uma nova benção” como nos ensina o grande santo Agostinho.
Que
estes dias que antecedem o Domingo de Pentecostes sejam para nós uma
preparação, para que, festejando solenemente a vinda do Paráclito, sejamos cada
vez mais fiéis – não às novidades, não às coisas novas, não ao espírito adúltero
do modernismo “aliado” à fé cristã; não, não a isto! Mas possamos permanecer
firmes no Evangelho de sempre, na Doutrina de sempre; possamos permanecer
firmes ao lado do nosso Papa, quando ensina estas verdades imutáveis, porque
nele está Cristo que fala, que governa, que santifica e que nos orienta.
Homilia proferida em 6 de Maio
de 2012.
MARCADORES:
Homilias do Pe. Marcelo Tenório
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3º Domingo após a Páscoa: "A obediência é a alma de todo apostolado."
08:39 | Postado por
Sacerdos |
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Pe. Marcelo Tenório
V. Ave Maria, Gratia plena,
dominus tecum, benedicta tu in mulieribus, et benedictus frutus ventris tui
Jesus.
R: Sancta Maria, mater Dei, ora
pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis nostræ. Amen.
O
que nós queremos? Alegria, ou contentamento? São coisas diversas: alegria em
Deus – tanto que, há dois Domingos a Igreja celebra essa alegria no Senhor. Alegria
é aquilo que vem do Senhor, e que nos é dado “como prêmio” dos nossos esforços,
por vivermos em Deus; é um esforço, uma ascese. Buscar viver em Deus é romper
com tudo aquilo que nos afasta dEle. Isso nos custa, porque vivemos na carne, e
isso nos faz sofrer.
Certa
vez, Santa Terezinha cuidando de uma irmã idosa em seu convento no frio de Lisieux;
sozinha naquela enfermaria escutou ao longe música de festa. E, por um segundo,
como que assaltada por uma saudade das coisas do mundo, das festas, das danças,
do conforto, já que se encontrava num convento pobre e frio, como são naturalmente
frios os interiores das igrejas. Mas, logo em seguida, lembrou-se que tinha
escolhido a melhor parte: sua carne sofria, desejaria estar do outro lado dos
muros; mas de repente lhe veio a sanidade espiritual – “Não, aqui mesmo é o meu
lugar.” Então há sofrimento, mas a alegria é profunda; esta alegria em Deus, que
já que vivemos neste mundo, ninguém pode tirar. Aqueles que buscam a Deus de
acordo com essa palavra, embora em meio a sofrimentos e incompreensões – os rótulos
que o mundo pagão nos dá – possuem uma profunda alegria.
É
o que dizia São Francisco: “A profunda alegria está justamente em sofrer, em
não compactuar com o espírito deste mundo.” Por isso, Nosso Senhor nos diz: “Ainda
um pouco de tempo, e não mais me vereis.” Nosso Senhor está preparando os
apóstolos para a sua Ascensão. Hoje você chora, e o mundo se alegra; amanhã o
mundo chorará e vocês estarão felizes. Hoje os cristãos choram: renunciam a isto,
renunciam àquilo, deixam de lado tudo aquilo que pode nos tirar de Deus, embora
seja bom para a carne. É uma constante luta, como nos fala o belíssimo Hino do Apostolado da Oração, mas depois
a nossa alegria será completa.
Enquanto
sofremos, o mundo se alegra. Mas chegará o dia em que esse mundo chorará. Entretanto,
a chave para que estejamos sempre no Senhor, e para que a nossa alegria seja
realmente completa, e que não seja jamais tirada (como Nosso Senhor coloca no Evangelho)
está na Epístola: a obediência. Servir
ao Senhor de verdade. Não ter vida dupla. Não “mentir ao Senhor pela tonsura”,
como repreende São Bento aos seus monges. (Os monges que mentem a Deus pela
tonsura são os que tem jeito de monge, cara de monge, tonsura de monge, mas não
são monges.” Cristão que tem jeito de cristão, cara de cristão, tem a “unção”
do Cristo... e não vivem como cristãos! Vivem sob um véu que encobre as coisas más
que já deveriam ter sido eliminadas.
E
o centro é a obediência: obediência à verdade de Deus anunciada pela Igreja. Obediência
aos nossos superiores diretos, ao nosso confessor, ao nosso diretor espiritual.
O grande pecado do demônio é o orgulho que gera a desobediência. Pela
desobediência presenciamos, através da história, os protestantes. O que
aconteceu com eles? Fragmentaram-se. Só em Campo Grande hoje é impossível
contar o número de seitas protestantes... É a desobediência!
Assim
acontece com aquela alma que é desobediente e que não quer seguir os
ensinamentos diretos de Cristo através de seus superiores, que não buscam
obedecer a Nosso Senhor vivendo o seu apostolado.
Quem
já viu católicos que vivem feito satélites: hora vêm aqui na Missa, hora vai
aqui e acolá, compromisso nenhum tem com Paróquia, nem tampouco com apostolado
nenhum? Que tipo de católico é esse? Para que serve? Não serve para nada. Onde
é que está o seu apostolado? Em que está engajado? Está trabalhando em quê? Só
vem receber as dádivas de Deus. E onde está a sua parte no sacrifício, na cruz,
no apostolado, no trabalho apostólico, onde é que se encontra? Isso é extremamente
importante; é a voz de Cristo através da Igreja que nos convida a trabalharmos
com a Igreja e pela Igreja na instauração do reino de Deus.
A obediência é a alma de todo
apostolado. Por que não obedecemos à voz de Deus que nos convida? E por que não
obedecemos à voz de nosso confessor que nos manda fazer tal coisa, ou parar de
fazer tal coisa? E por que não obedecemos à voz de nosso diretor espiritual? Ou
melhor, temos diretor espiritual? Ou somos cegos guiando-nos, ou seguindo-nos a
nós mesmos?
O
santo Evangelho de hoje é muito claro para nós. Para que a vossa alegria seja
completa, para que possamos, enquanto o mundo pagão irá chorar, estar felizes,
porque passou o choro e a ascese, porque passou todo o tempo de trabalho
interior e exterior, e agora possamos gozar das alegrias celestes. Esta é, para
nós, a vontade de Deus. Custa? Custa! Nosso Senhor não prometeu a ninguém vida
fácil. Muito pelo contrário: prometeu-nos o cêntuplo com perseguições!
Que
a Epístola e também o santo Evangelho deste Terceiro Domingo Após a Páscoa iluminem
toda a nossa semana, e que com estas sagradas letras possamos refletir sobre a
nossa vida, sobre a alegria ou o contentamento, sobre o que estamos realmente escolhendo
para nós, em que estamos construindo a nossa existência.
Homilia proferida em 29 de
Abril e 2012.
MARCADORES:
Homilias do Pe. Marcelo Tenório
|
1 comentários
7 de mai. de 2012
2º Domingo após a Páscoa: "Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!"
12:37 | Postado por
Sacerdos |
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| Sonho de Dom Bosco |
Pe. Marcelo Tenório
V. Ave Maria, Gratia plena,
dominus tecum, benedicta tu in mulieribus, et benedictus frutus ventris tui
Jesus.
R: Sancta Maria, mater Dei, ora
pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis nostrae. Amen.
V. Ora pro nobis, sancta Dei
Genitrix
R: ut digni efficiamur
promissionibus Christi.
No
santo Evangelho, nosso Senhor se coloca como bom pastor, Aquele que dá a vida
por suas ovelhas. Citando outro Evangelho, que trata de uma cena semelhante, Ele
deixa bem claro: “Aqueles que não estão comigo... os que não entram pela
porta... são ladrões e salteadores”. “Todos que vieram antes de mim foram
ladrões e salteadores.” “Eu sou o bom pastor, eu dou a minha vida pelas ovelhas.”
O
mercenário não quer saber das ovelhas, e sim tirar proveito delas. Não se
incomoda com os lobos e, se os lobos estão próximos, ele foge e deixa as
ovelhas ao Deus-dará. Pois bem:
Cristo é o bom Pastor. E há um só rebanho: “É verdade que há ovelhas que não
estão neste aprisco; é necessário que eu vá buscá-las para que haja um só
rebanho um só pastor.”
O
pastoreio de nosso Senhor está para a verdade, a verdade salvífica que tem o
seu núcleo no coração da Trindade. E essa verdade se impõe desde o início,
desde o Gênesis, quando começam as sagradas letras: “Bereshit bará Elohim...” “No princípio, Deus criou...”. Desde este
momento, a Trindade vai se revelando, embora chegue à plena revelação em Nosso
Senhor Jesus Cristo, já no Novo Testamento. Pois bem: este aprisco do Senhor é
o aprisco da verdade, e só pode fazer parte deste aprisco aqueles que são da
verdade, ou aqueles que se convertem à verdade. Não podem haver outros apriscos
e outras verdades. Só uma é a verdade, e um só é o aprisco, que é a Santa Igreja
Católica, fora da qual ninguém pode se salvar. Este é um dogma da nossa fé, tão
esquecido em tempos modernos de pluralismos religiosos, de seitas que antes
eram consideradas como seitas e hoje, “por crescimento econômico”, já são
consideradas “igrejas”.
O
belo documento Dominus Iesus, escrito
pelo então Cardeal Ratzinger, vai colocar precisamente o que é realmente a Igreja:
“A Igreja é a instituição divina já tratada disso por Pio XII na belíssima Encíclica
Mystici Corporis Christi. A Igreja,
que é divina, que vem de Deus, vem do coração da Trindade, que não terá fim, mas
que será consumada na glória. É este o mistério inefável, indelével da Igreja
que deve resplandecer no coração de uma alma católica.”
Pois
bem. Não é de hoje que os falsos pastores tentam infiltrar-se na Santa Igreja.
Querem destruir a Santa Igreja. Querem semear o joio, a discórdia e as
divisões. Isto foi tentado desde o Império Romano, desde sempre, chegando ao
auge no reinado do Papa Pio X, no inicio do século XX. O Papa Pio X coloca bem às
claras os inimigos da Igreja, e diz ele que antes os nossos inimigos estavam
fora, agora não, os inimigo da Igreja estão dentro, para confundir; para,
inventando uma nova teologia, inventando uma nova moral, querer destruir a
verdade autêntica que resplandece na face da Igreja, que é a doutrina de sempre,
a moral de sempre de Nosso Senhor Jesus Cristo e que a Igreja desde a era
apostólica nos transmitiu, de forma inequívoca, até os dias de hoje. Era o
grande Papa Pio X que olhava com o seu olhar de bom pastor, e já denunciava os
maus pastores, denunciava aquelas correntes teológicas não muito católicas, ou que
nada tinham de católicas, que queriam infiltrar-se para minar a Igreja em suas
bases.
E
qual não foi a nossa surpresa quando o Papa Bento XVI, indo a Fátima, no avião
mesmo fala a mesma coisa, de forma análoga, aquilo que o Papa Pio X dizia já na
condenação do modernismo: “Os inimigos não estão fora, estão dentro.”
O
sonho de Dom Bosco mostra claramente os inimigos da Igreja jogando contra a
barca de Pedro livros, e não atirando com canhões, com armas poderosas,
nucleares, não; mas livros. Os livros são ideias, são falsas filosofias, são
falsas teologias. E como é triste perceber que, até no ensino da Filosofia ou
da Teologia em muitos lugares, este ensino foi substituído. São Tomás de Aquino
é deixado de lado, para se fazer com que os alunos se debrucem em filosofias de
filósofos nada católicos, em teologias de teólogos que, se na época de Pio XII
vivessem, estariam com certeza excomungados.
Pois
bem. A Igreja trava uma crise como nunca na sua história. O próprio Papa Bento
XVI, como também seu predecessor João Paulo II já nos seus últimos momentos, reconheciam
isso: “Esta crise na Igreja, no seu cerne, é uma crise de fé.” E esta crise de fé,
que muitas vezes parece abalar as suas estruturas, não vem de hoje, mas de
tempos. Entrou pela porta da frente da Igreja com o romantismo protestante,
através de uma teologia laxa, através de músicas que foram substituindo os
belos hinos católicos que convertiam a nossa alma, ou colocavam em nossa alma o
tom do combate do martírio. Quem se esquece, por exemplo, do “Levantai-vos,
soldados de Cristo, sus correi, sus voai à vitoria”? Hinos belíssimos, e que
nos diziam concretamente, e nos colocavam na missão de soldados, de guerreiros,
cuja bandeira era a bandeira da Santa Cruz, a bandeira da Santa Igreja.
Entretanto,
nestes dias maus, temos que estar, mais do que nunca, unidos ao Papa Bento XVI,
gloriosamente reinante. Ele, agora há pouco, completou sete anos de pontificado;
um pontificado que revolucionou no bom sentido a História da Igreja em quarenta
anos. Bento XVI, que tem a sua preocupação pela doutrina, pela sagrada Liturgia,
sobretudo o seu zelo no sacrifício da Santa Missa. De forma que, unidos ao Santo
Padre Bento XVI, possamos, como dizia um grande Bispo francês: “Reconstruir
enquanto muitos destroem, recolocar Nosso Senhor Jesus Cristo no seu devido
lugar: que Ele reine na sociedade, que Ele reine nos poderes públicos, e que Ele
continue reinando na sua Igreja, sobretudo na pessoa augusta do vigário de Cristo.
Estando
com o Papa estamos seguros. Permanecendo na barca de Pedro, nada, nenhum mau,
nenhum vento inescrupuloso de falsas doutrinas, ou nenhuma voz de falsos
pastores, nada disso conseguirá retirar de nós o que temos de mais sagrado,
aquilo que Dom Bosco ensinava aos seus jovens, os três amores brancos: a branca
Hóstia, a branca Virgem e o branco ancião do Vaticano. Eis aí o remédio contra o modernismo,
eis aí o remédio contra as heresias práticas que, infelizmente, entraram pela porta
da frente.
Mas
Nossa Senhora de Fátima nos assegura a vitória: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!”
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2 de mai. de 2012
1º Domingo após a Páscoa: Dominica in Albis
11:11 | Postado por
Sacerdos |
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Pe. Marcelo Tenório
V. Ave Maria, Gratia plena,
dominus tecum, benedicta tu in mulieribus, et benedictus frutus ventris tui
Jesus.
R. Sancta Maria, Mater Dei, ora
pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis nostræ. Amen.
A
Santa Igreja celebra hoje o Dominica in
Albis, o Domingo de branco. Domingo in
Albis, Domingo de branco justamente pelo costume, na antiguidade, de aqueles
que receberam o Batismo na Vigília Pascal retornarem no domingo seguinte
revestidos com a mesma veste branca que haviam recebido no dia do seu Batismo. Voltar com esta veste branca, tendo durante a semana todo o cuidado em não
manchá-la, indica para nós o Batismo que recebemos – esta roupa nova que recebemos,
esta alvura brilhante que recebemos no dia de nosso Batismo, já que fomos
lavados no sangue do Cordeiro – e a nossa responsabilidade de trazermos de
volta estas vestes brancas do dia do Batismo e que devem continuar brancas,
límpidas e puras, tal como nossa alma até o momento em que devemos nos
apresentar diante de nosso Senhor.
A
roupa branca, límpida e pura que recebemos no Batismo em nossa alma não é para
ser manchada, não é para ser violada nem tampouco estragada; daí a nossa
responsabilidade de manter bem o nosso Batismo e não nos esquecermos dele, e
não nos apresentarmos diante do Supremo Juiz com as roupas velhas,
esfarrapadas, podres, enegrecidas ou cheias de lama.
E, se por acaso, no
decorrer de nossa existência, tivermos, de uma forma ou de outra, manchado estas
vestes brancas, que recorramos urgentemente ao augusto Sacramento da Confissão,
único capaz de refazer em nós as vestes de nosso Batismo.
†††
A
grande mensagem da Páscoa é justamente a mensagem da paz: “A Paz esteja
contigo”. E Nosso Senhor, após dizer estas palavras que são um desejo, uma
condicional – a paz esteja – logo em seguida mostra as mãos e o lado, os
cravos, as chagas.
“A
paz do Senhor” não é um sentimento; a paz do Senhor não é um contentamento. Estar
em paz não é estar bem. Muitos estão bem e não estão em paz: pensam estar em
paz porque estão bem; confundem a paz com o contentamento e com a felicidade
natural. Alguém diz: “Estou em paz: consegui pagar aquela dívida que há anos
vinha se arrastando”... Mas isto não é paz! Ou: “Estou em paz: criei os meus
filhos e eles agora estão bem, cada um já está solidificado no mundo”... Isto
não é paz! Ou: “Estou em paz porque consegui reaver tal coisa, ou fazer tal
coisa.” Isto é contentamento, felicidade natural. A paz não é um sentimento, e
a paz não nos é dada por coisas exteriores que possamos fazer, alcançar ou
sermos premiados.
Na
Vigília de Natal, a sagrada Liturgia vai nos dizer: “Ele é a nossa paz.” A paz
é Nosso Senhor, a paz é Cristo ressuscitado em nós. Ora, é uma condicional – a paz
esteja – se Cristo está em nós, estamos na paz. Se Cristo está em nós, a paz
está em nós e estamos na graça. E, se estamos na graça, não com a ausência do
sofrimento, porque, para permanecer na graça e para estar na graça, requer-se
de nós justamente sofrimento no sentido de dobrarmos os nossos instintos e convertermos
os nossos corações. Eis aí a paz mostrada com as chagas do Senhor.
O
Domingo in Albis relembra a nossa
grande responsabilidade. O que fizemos do nosso Batismo? O Domingo in Albis nos mostra que um dia estaremos
diante do Supremo Juiz, de juízo reto, que nos julgará diante daquilo que nos
deu. E a primeira coisa que Ele olhará em nós é justamente a nossa veste: como
ela estará no dia do julgamento? Observemos, pois, o nosso Batismo – o que
fizemos com as nossas vestes batismais, como estão estas vestes – e não nos esqueçamos
de que, com estas vestes, nos apresentaremos um dia diante do Supremo Tribunal
de Deus.
Homilia proferida em 15 de
abril de 2012, primeiro Domingo após a Páscoa.
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Domingo de Páscoa: “Ele não está mais aqui. Ele ressuscitou!”
09:47 | Postado por
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Pe.
Marcelo Tenório
A alegria do Domingo da Páscoa, após a Quaresma contemplando o
Crucificado; a Quaresma, que nos foi proposta pela Santa Igreja para que
possamos mudar a nossa vida; e, ontem, toda a Igreja diante do túmulo do
Senhor, aguardando a Sua ressurreição. E, assim, a Igreja hoje pode cantar
“Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está o teu aguilhão?”
No santo Evangelho que acabamos de escutar, as santas mulheres com
Maria Madalena vão até o sepulcro. “Quem nos retirará a pedra?” São movidas
pelo amor incondicional ao Mestre, a nosso Senhor: já que não conseguiram
fazê-lo devido ao Shabbat, no
primeiro dia da semana se dirigem ao sepulcro e levam aromas. E, quando chegam
bem próximo do local, vem a indagação: “Quem nos tirará a pedra?” Mas a pedra
estava removida; era uma pedra grande. Ficam assustadas, interrogativas. E, ao
olharem para dentro do sepulcro, está um belíssimo jovem do lado direito. A
palavra do jovem para aquelas mulheres: “Não vos assusteis.” Ou seja: “Não
temais.” As palavras de Nosso Senhor durante as aparições que iremos ver com
mais precisão na Oitava da Páscoa sempre é esta, além de “A paz esteja
contigo”: “Não tenhais medo, não temais, não vos assusteis.”
A morte passou; “a morte, morreu”. Cristo matou a morte! O
vencedor, o poderoso das batalhas, aniquilou a morte! Desce aos infernos para
abrir as portas do paraíso, para destruir o limbo dos patriarcas e, assim todos
podermos entrar na glória de Deus, deslumbrarmos Sua face sagrada,
deslumbrarmos o Seu rosto, gozar das alegrias de seus mistérios e do seu
convívio. De forma que a Igreja, na escuridão, na penumbra do pecado original,
vê aos poucos a luz de Cristo adentrando nas trevas, dissipando tudo o que era
obscuro, eis que tudo fica claro: “A noite será como o dia”, canta o Precônio
da Páscoa. E a Igreja está tão exultante, mas tão exultante nesta salvação, na
ressurreição do Cristo, que canta: “Ó feliz culpa de Adão, que nos mereceu um
grande Salvador”!
“Vocês procuram o crucificado?” Perguntou o jovem. Era um anjo;
mas por que jovem? São João viu um ancião, não um jovem. Nas suas visões em
Apocalipse, São João verá sempre um ancião; aqui é um jovem. É um anjo, jovem,
resplandecente do lado direito. “O Crucificado, vocês procuram? “Ele não está
mais aqui. Ele ressuscitou!”
Na santa Missa de sempre [n.d.r.: Missa Tridentina], encontramos entre muitos grandes significados,
o do lado direito e do lado esquerdo do altar. O lado da Epístola é justamente
o do oriente [n.d.r.: a direção da
Terra Santa], de onde vem para nós esta luz da verdade. E o Evangelho é
proclamado aos incrédulos, aos pagãos, àqueles que precisam de conversão; por
isto, a estante do Evangelho, do lado esquerdo do sacerdote, está sempre
inclinada, não reta, como do lado direito do sacerdote. Por quê? Porque esta
inclinação quer mostrar para nós que a palavra de Deus “se derrama”, o
Ressuscitado deve ser conhecido pela sua palavra e a sua palavra aceita gera
conversão e mudança de vida. O anjo está do lado direito do altar, não do lado
esquerdo, pois do lado direito é de onde vem a salvação.
“O que vocês procuram aqui? O crucificado? Ele já não está mais
aqui, Ele ressuscitou.” Cristo não está nos mortos! Cristo não está entre
aqueles que desceram aos infernos. De forma alguma! Ele ressuscitou! E por isso
nós somos chamados a ressuscitar. São Paulo nos diz: “Se ressuscitastes com
Cristo, vós estais mortos.” Então, nós morremos [n.d.r.: para o mundo] no dia de nosso Batismo; mas, “Se
ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto”, não as coisas baixas.
Quem está no alto? Deus. Quem está no baixo? O demônio. Então, buscai as coisas
do alto, onde Deus está! Porque a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.
E, na Epístola da santa Missa de hoje, vimos isso muito
claramente: “Irmãos, purificai-vos do velho fermento.” É Páscoa! Não podemos
colocar remendo novo em roupa velha, de forma alguma. Se ressuscitamos com
Cristo pelo Batismo, é Páscoa em nós e já não podemos buscar o velho fermento.
Muito pelo contrário! Busquemos o fermento novo, um fermento puro, a fim de
que, conformando-nos a Ele, que é a vida, possamos em cada instante, em cada
momento da nossa existência, viver a Páscoa em nossa alma, em nossa vida.
É sempre Páscoa na vida dos santos; embora haja tristezas,
dissabores, sofrimentos, incompreensões e abandonos, é sempre Páscoa na vida
dos santos. Ontem, a Igreja invocava a todos os santos, para que fizessem
conosco a Vigília Pascal. Todos os santos viveram nas suas vidas a Páscoa do
Senhor; desejaram ardentemente esta Páscoa e deram-se totalmente a fim de que,
a cada instante, o Ressuscitado tomasse conta de suas vidas, de suas entranhas,
de suas células, de todo o seu ser. A tal ponto que Santa Teresa d’Ávila pôde
exclamar: “Morro porque não morro; vivo, mas já sem viver em mim”.
O desafio de cada um de nós, enquanto católicos, enquanto
cristãos, é, justamente, seguir esta palavra do santo Evangelho, de não
ficarmos entre os mortos, porque Ele não está entre os mortos – “Por que
procurais aqui? Ele não está, Ele ressuscitou.”; e viver o que diz o Apóstolo –
buscar as coisas do alto, ser o fermento novo, viver realmente a vida de
ressuscitado. Porque viver a vida de ressuscitado é viver a morte batismal, a
morte para o mundo, a morte para a concupiscência, a morte para tudo aquilo que
nos afasta de Deus.
“Vós estais
mortos, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.”
Homilia proferida em 8 de
abril de 2012, no Domingo de Páscoa.
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30 de abr. de 2012
Missa da Noite de Páscoa: “Por que buscai entre os mortos Aquele que vive?"
18:39 | Postado por
Sacerdos |
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Pe. Marcelo Tenório
Hoje
a Igreja celebra a Ressurreição do Senhor. No Evangelho que acabamos de
escutar, Maria Madalena com outras mulheres vai ao túmulo de Cristo. A pedra
está removida; um anjo resplandecente, dirigindo-se às mulheres, lhes diz: “Não
temais; sei que buscai a Jesus, que foi crucificado; Ele não está mais aqui”. A
grande mensagem da Páscoa é justamente esta do anjo: “Por que buscai entre os
mortos Aquele que está vivo? Jesus de Nazaré, o crucificado, não está mais aqui.”
“Ele não está mais aqui, Ele ressuscitou.”
E
São Paulo vai nos falar que a nossa vida está escondida com Cristo em Deus. E,
se a nossa vida está escondida com Cristo em Deus, devemos buscar as coisas do
alto – onde Deus está – e não as coisas baixas.
Maria
Madalena com as santas mulheres, de forma extremamente caridosa, vai atrás do
corpo de Jesus, para justamente ungi-lo, já que não deu tempo por ser sábado, e
o anjo lhes replica: “Por que buscai entre os mortos a Jesus de Nazaré, aquele
que foi crucificado? Ele não está mais aqui.” Ele não está mais aqui!
“Buscai
as coisas do alto, não as coisas de baixo, porque a vossa vida está escondida
com Cristo em Deus.” A nova vida, a vida verdadeira, está escondida com Cristo
em Deus. Esta é a grande mensagem da Páscoa para nós. Não podemos continuar mergulhados
em nossos pecados, em nossas resoluções mesquinhas. As mulheres são convidadas
a não buscar entre os mortos; as mulheres são convidadas a olhar para o alto. A
pedra é removida; aquilo que pesava, que prendia, agora é retirado. O véu que
separava, agora já não pode mais separar.
A nossa vida está escondida com
Cristo em Deus: por que procurais entre os mortos aquele que vive? Ele está
aqui! Ressuscitou, como disse [alusão a um verso da Antífona Pascal Regina Cæli, n.d.r.].
Homilia proferida em 7 de abril de 2012, noite de Páscoa.
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27 de abr. de 2012
Sexta-Feira Santa: "Recebei-nos também, ó Mãe, em vossos braços como O tendes recebido; trôpegos são os nossos passos Mãe, como nós temos vivido."
11:53 | Postado por
Sacerdos |
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Pe. Marcelo Tenório
Hoje, a Igreja celebra a Paixão e Morte de Nosso Senhor. O
mistério da Paixão é o mistério do amor de Deus para conosco. O salmo
interroga: “Quem é o homem, Senhor, para que dele Vos preocupeis?”. Não somos
nada, em nada aumentamos a glória de Deus. E Ele nos criou para Ele. E, ao nos
criar para Ele, nos predestinou a viver a Sua vida, a participar da Sua
divindade. E assim as Sagradas Escrituras nos dizem “Vós sois deuses” no
sentido de participação na divindade do Deus único, do Deus excelso, do Deus verdadeiro
que se torna homem como nós e assume a nossa humanidade, a fim de que a
salvação, o resgate a preço de sangue aconteça. E a vítima verdadeira é Ele,
que se entrega e se dá. Nosso Senhor não é um mártir igual aos outros mártires
por que Ele se dá, Ele se entrega.
No Evangelho solene de São João, quando os guardas chegam ao horto
das Oliveiras, Jesus os interroga: “A quem procurais?” “A Jesus de Nazaré”,
eles respondem; e Jesus lhes diz: “Sou Eu”, ou “Eu Sou”, e de repente eles caem
por terra. É o mesmo nome que Deus responde a Moisés, na sarça ardente, que
havia perguntado a Ele “Quem és Tu? O que direi ao faraó, qual o teu nome?” e
Deus responde a Moisés: “Eu Sou”, “Javé”, “Yahweh”. Quando os judeus, zelosos
em suas tradições, zelosos em sua religião, que acusavam Nosso Senhor de
blasfemo por se dizer Filho de Deus, se aproximam para prendê-lo com paus e
armas e, à frente estava Judas, o traidor, e escutam da boca do Salvador: “Eu
Sou”, o mesmo nome sagrado de Deus. Eles caem por terra, a força deste nome é
tamanha que caem por terra, como que jogados por terra. Isso três vezes, em
sinal de divindade, de perfeição, de autoridade. Novamente, Jesus pergunta: “A
quem procurais?” “A Jesus, o Nazareno.” “Já vos disse: ‘Eu Sou’”; eles caem
novamente, como se a terra tremesse, e eles são jogados ao chão. E, pela
terceira vez, a mesma coisa. Isto nos indica que Ele é o Deus verdadeiro. E não
são os carrascos, não são os fariseus, não são os guardas do templo que prendem
Jesus ou que põem suas mãos nEle: Ele se entrega, porque se Ele não quisesse,
bastava o sopro de Sua boca, como diz o profeta Isaías: “A palavra de sua boca
ferirá o avarento, o violento sopro de seus lábios”. Ele se entrega “Ninguém
tira a minha vida”, diria o Senhor, “Eu vo-la dou.”
Nesse dia solene, sagrado para nós Cristãos, Nosso Senhor dá a Sua
vida como o pelicano que, em falta da comida para seus filhotes, com o seu bico
pontiagudo rasga o seu peito, tira um pedaço de carne de si e entrega a seus
filhotes, para que não morram de fome. Assim fez Nosso Senhor ontem, na Última
Ceia, a primeira Missa que Ele rezou. A primeira Missa: a vítima que se
oferece, que se dá, que se entrega... Nos ritos antigos, o sacrifício consistia
não na morte da vítima – a morte era consequência – mas no derramamento de
sangue e, para isso, era necessário sacudir a vítima: o boi, o cabrito, ou
oferendas menores, eram sacudidos porque isto agitava o sangue, propiciando uma
melhor de aspersão deste sangue sobre o altar do sacrifício. Também no
Ofertório da Missa, no momento em que o sacerdote oferece na patena a hóstia,
ele agita este sacrifício com o sinal da cruz; da mesma forma que se agitava o
animal nos sacrifícios antigos para que o sangue jorrasse a qualquer momento e
a qualquer corte, também a vítima na Santa Missa é agitada, visto que, para
nós, Ele é o perfeito cordeiro que se oferece.
E ontem Ele se ofereceu, antecipando este momento de hoje. A Missa
é a memória, a renovação, em nossos altares, do mesmo sacrifício do calvário;
não outro, mas este mesmo sacrifício do calvário do qual, hoje, pelo mistério
da Sagrada Liturgia, estamos próximos, ao lado do Senhor na Sua angústia, ao
lado do Senhor em Suas dores, ao lado do Senhor no Seu abandono. Ninguém ficou
ao seu lado, nem João. Nem João, o discípulo mais amado; nem ele ficou; todos
correram apavorados, com medo, todos foram embora. Pedro negará Jesus diante de
uma serviçal do templo e de outros; e os demais, cada um, procuram livrar-se da
condenação que pesam sobre eles por serem discípulos ou apóstolos do Senhor.
Para onde teria ido João? Não sabemos; tudo indica que para a casa das Santas
Mulheres. E, com elas, com certeza estava Maria, Nossa Senhora, que já sabia o
que a aguardava desde o dia da profecia de Simeão e, até aquele momento, Ela
espera esta hora, Ela deseja que chegue esta hora: a hora da entrega, do
sacrifício, a hora em que seu Filho, o Cordeiro Santo, irá remir os pecados da
humanidade inteira como aquele bode expiatório, que os antigos usavam para,
sobre ele, invocar os pecados de toda a comunidade dos judeus, e lançarem este
bode à sorte no deserto para morrer, significando que levava todos os pecados.
Por isto este bode expiatório. Por isto São João Batista pôde dizer: “Ecce
Agnus Dei”. Aí está o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.
E esta salvação se alarga hoje na
morte daquele que, sendo Deus, não pode morrer, mas morreu verdadeiramente,
padecendo as nossas dores, padecendo os nossos sofrimentos. Fisicamente igual a
nós em tudo, morreu da nossa morte para que pudéssemos ter a Sua vida.
Então, o mundo volta-se ao nada: “Deus está morto!” “Deus está
morto.” “Deus está morto...” Deus morre por amor de cada um de nós. “Pai, em
tuas mãos, Eu entrego meu espírito”, disse Jesus. Veio do Pai, como dom dado de
Deus para nós, e ao Pai Se entrega: “Em tuas mãos; tudo está consumado. Tudo
terminei, agora tudo Te entrego.” A glorificação do Filho está no Pai, em fazer
a Sua vontade. A glorificação do Pai está na vontade perfeita do Filho: o Filho
que glorifica o Pai, o Pai que é glorificado neste mistério da cruz.
Deus que morre. Deus que desce aos infernos e, lá nos infernos,
vai anunciar a salvação. Todos desejavam esta hora, desde os patriarcas, desde
a época de Noé, desde a época de Abraão, de Isaac, de Jacó, desde a época dos
profetas – todos, no limbo, esperavam este momento, o momento da redenção. À
porta que estava fechada e ao selo que selava esta porta do paraíso, o sangue
do Cordeiro abre; a porta é escancarada, a salvação concretiza-se, e o véu que
separava é rasgado de cima a baixo na morte do Senhor. Aquele véu do templo que
se rasga de cima a baixo, o véu que separava uma aliança de outra, agora é uma
aliança eterna. Cristo que entra no templo não construído por mãos humanas,
como fala São Paulo aos Hebreus, mas uma vez só; não com sacrifícios de touros
ou sangue de cabritos, mas Ele se dá, o seu sangue é derramado de uma vez por
todas. E, assim, a humanidade é salva, assim a redenção atinge todo o orbe da
terra; não só o homem, mas toda a criação gemia, esperando este momento da
redenção, este momento que se alarga e é derramado a todos os homens.
Entretanto, é necessário que assumamos esta salvação. Ele se dá,
Ele salva, não a todos, mas a muitos: o sangue é dado por muitos, não por
todos. E por que não por todos? Porque nem todos darão ouvidos, nem todos darão
a sua adesão a esta salvação.
E, ao lado de Jesus, está Maria; e, ao lado de Maria, as santas
mulheres; e, com as santas mulheres e com Maria, João, o discípulo amado. Nos
últimos momentos, o testamento de Jesus: “Mulher, eis aí o teu filho. Filho,
eis aí a tua mãe.” Maria recebe João e, em João, a Igreja inteira e os membros
desta Igreja. João recebe Nossa Senhora e, em João, nós também A recebemos.
E podemos também contemplar a cena
belíssima de Jesus descendo da cruz, já sem vida, desfigurado, massacrado nos
braços da Mãe. Que dor para Nossa Senhora! Quantas lembranças, quantas
recordações! Ela poderia muito bem dizer a Madalena: “Madalena, sustenta os
pés, pois eles não se esqueceram dos aromas da urna de alabastro.” “João,
sustenta a cabeça, que a tua repousou tão docemente em Jesus no último
banquete.” Mas é a Mãe que recebe nos braços o Filho sem vida.
Recebei-nos também, ó Mãe, em vossos
braços como O tendes recebido; trôpegos são os nossos passos, Mãe, como nós
temos vivido.
Sermão proferido na Sexta-feira da Paixão, em 6 de abril de 2012.
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26 de abr. de 2012
Missa da Ceia do Senhor: “A Missa é o calvário todo. E a minha responsabilidade é única no mundo.”
16:44 | Postado por
Sacerdos |
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Pe. Marcelo Tenório
V. Ave Maria, Gratia plena, dominus tecum, benedicta tu in
mulieribus, et benedictus frutus ventris tui Jesus.
R: Sancta Maria, mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc et in
hora mortis nostrae. Amen.
V. Ora Pro nobis sancta Dei Genitrix,
R: Ut digni efficiamur promissionibus Christi.
A última Ceia do Senhor, a Missa In Cœna Domini, é um
momento de júbilo e um momento de profundo pesar, de uma profunda tristeza. De
júbilo, porque o Senhor instaura o Seu sacrifício, o mistério da Missa - é a
Missa que Ele celebra. E, nesta Missa, Ele se dá: não mais os cordeiros
antigos, não mais o sangue de touros e de cabritos, mas dEle mesmo que se
entrega em resgate. É a primeira Missa que Nosso Senhor celebra como Sumo e
eterno Sacerdote. Por isso, São Paulo vai dizer aos hebreus que Nosso Senhor
não entrou no santuário construído com mãos humanas, mas de uma vez por todas
Ele, como sacerdote eterno, como vítima, com Seu próprio sangue, entra no Santo
dos Santos uma só vez e, assim, resgata por um só ato a humanidade inteira.
É júbilo porque a Missa nos é dada e por que a Santíssima
Eucaristia é entregue à Igreja para que, renovando este gesto, possamos nós, da
Igreja militante continuar na história, até a consumação dos séculos, este
memorial da paixão, morte e ressurreição. Padre Pio respondeu alguém que o
interrogou sobre o que é a Missa:
“A Missa é o calvário todo. E a
minha responsabilidade é única no mundo.”
Também hoje, Nosso Senhor nos dá o mandamento do amor. E
este mandamento do amor é o “amar a Deus sobre todas as coisas”. E é neste amar
a Deus sobre todas as coisas que o Filho nos dá este exemplo, fazendo a vontade
do Pai, e se entrega até a morte e morte de cruz, como cantávamos antes do
evangelho: “Cristo se fez por nós obediente até a morte, e morte de Cruz, e por
isso Deus o exaltou e deu o nome acima de todo o nome”.
Também, a instauração do sacerdócio católico. Hoje, nosso Senhor
não só nos deixa a Eucaristia, o Seu sacrifício; não só nos dá o Seu mandamento
de amor, mas também instaura o Seu sacerdócio. E, como dizia muito bem o nosso
Arcebispo Dom Dimas na Missa dos Santos Óleos: “O sacerdote não é apenas
um alter Christus, um outro Cristo; o sacerdote, na verdade, é
Cristo, porque o sacerdote empresta a Nosso Senhor suas mãos, sua voz, todo o
seu ser, todo o seu corpo, para que, através destas pessoas ungidas, Cristo
continue a governar, a santificar e a ensinar.”
Era São João Maria Vianney que dizia:
“Ide aos anjos e pedi a eles o
perdão dos pecados, e eles vos dirão: não podemos. Ide aos anjos e pedi a todos
eles que vos dê o pão do céu, e eles responderão: não podemos. Ide à Santíssima
Virgem e pedi também o perdão dos pecados e o Pão do Céus, e a Santíssima
Virgem responderá: não posso. Mas, ide ao mais simples dos sacerdotes, santo ou
pecador; só ele poderá responder: teus pecados estão todos perdoados.”
Eis o júbilo da festa de hoje, acompanhado pelos sinos e
pelo Gloria. Mas, daqui a pouco, Nosso Senhor se despede e vive aquilo que O
espera: o martírio, o calvário, o abandono. E, então a Igreja entra no
sofrimento do Senhor e convida a todos nós a estarmos juntos com Ele
no Getsêmani, a não abandoná-lo, a não deixá-lo sozinho. Todos foram
embora, ninguém ficou. Até mesmo João, que volta depois; mas, naquele momento
todos vão embora. João não ousa, em nenhum momento, dizer: “Que me preguem na
cruz com o meu Senhor”. Apenas some, desaparece. Cristo está só, mas Sua Mãe
Santíssima, com certeza, o acompanha de longe, talvez sem nem saber onde seu
Filho estava preso, onde seu Filho se encontrava, mas Ela estava unida a Ele.
Os demais fugiram apavorados diante do aparente fracasso de Nosso Senhor; este
fracasso que vai ser aniquilado com a vitória da cruz no Sábado Santo, aos
primeiros raios de sol do Domingo da Páscoa.
Este momento, para nós, é um momento sagrado, é um momento
sublime, em que podemos contemplar Nosso Senhor em dois aspectos: na sua
profunda alegria em ter consumado tudo e feito a vontade do Pai ao extremo,
como João vai nos falar “Amou-nos até o fim” – In fine dilexit –
mas também na angústia, na dor, na desolação que cairá sobre Ele.
E o que nós sabemos?
Que o peso da cruz é o nosso peso,
que somos nós que lhe pesamos na cruz. O Seu suor com sangue é por causa dos
nossos pecados: somos nós que Lhe pesamos, somos nós que aumentamos as Suas
angústias. Não foram os demônios que condenaram Jesus à morte, fomos nós: nós o
condenamos, nós somos os responsáveis pela Sua morte e – o pior – nós somos
responsáveis pela Sua paixão, que se arrasta até o fim dos séculos em cada
pecador que se obstina no pecado, até em nós quando continuamos imersos em
nossas falhas, em nossas podridões, ou até mesmo em pecados veniais que, diante
de Deus e diante daquilo que Ele deseja para nós – a perfeição e o Céu – não
deixa de ser atraso e empecilho contra o testemunho do primeiro amor, do
primeiro Mandamento que é amar a Deus sobre todas as coisas, e do mandamento de
amarmos ao próximo como, ou – às vezes, ou muitas vezes, ou quase sempre – mais
que a nós mesmos.
Que esta santa Missa in Cœna Domini abra
para nós a porta das graças de Deus, a fim de que, neste Tríduo Santo, tenhamos
a graça das graças, que é perseverar até o fim, até o último instante da nossa
vida, como costumo dizer: “A graça não é começada em mim, a graça é terminada
em mim.” Se começamos bem e não terminamos bem o que fizemos, acontece o que
São Domingos Sávio dizia: “Se no final de minha vida não tiver me
tornado santo, foi inútil ter passado por esta vida.”
Acompanhemos Jesus em cada instante, em cada momento, em Sua
paixão que se abre nesta Última Ceia, ao lado de São João, o discípulo que Ele
mais amava; ao lado de São Pedro que, apesar de seu temperamento, amava a Nosso
Senhor; ao lado dos demais; mas, entre eles, estava Judas, o traidor, aquele
que seria melhor nunca ter nascido.
Homilia proferida no dia 5 de abril de 2012, Missa da Ceia do
Senhor (Lava-pés).
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Domingo de Ramos: "Se queremos segui-Lo, preparemo-nos para a cruz, para o martírio, para as dores..."
16:03 | Postado por
Sacerdos |
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Clique aqui para visualizar as fotos do Domingo de Ramos.
Pe. Marcelo Tenório
Entramos
na Paixão de Nosso Senhor, o 2º Domingo da Paixão, o Domingo de Ramos. É neste Domingo
que a Igreja canta, anuncia a Paixão de Nosso Deus. Um Deus que nos amou até o
fim, até a morte, e morte de cruz.
Ao
chegarmos diante da Igreja fechada, podemos contemplar o paraíso fechado pela
culpa de um só homem, do velho Adão. Poderíamos contemplar o limbo dos
patriarcas, o limbo dos santos onde todos aguardavam o momento da Salvação. É a
porta que está fechada, a porta selada pelo pecado de um só homem. Pela
obediência do novo Adão, de Cristo Deus, a porta é aberta e jamais será fechada.
São as portas do Reino, do Paraíso que se abrem para todos aqueles que desejarem
por ela entrar.
O
2º Domingo da Paixão, de Ramos, deve ser para nós esta porta aberta que nos
convida a deixar a vida velha, o pecado de Adão, para podermos cravar a cruz de
Cristo, que é a nossa ressurreição, sobre o crânio do antigo Adão. Como alguém
já dizia: “Santo sepulcro, eis a cova; nela é
deitado o homem velho: o homem velho seja abandonado na cova, e que saia o
homem novo deixando aos vermes o pecado.”
Que
possamos, neste dia santo, neste dia de reflexão, diante deste imenso amor de
Deus por nós – que não precisava, mas quis nos amar -, responder com prontidão,
como São Pedro após a negação: “Senhor tu sabes tudo de mim, tu sabes que eu Te
amo.”
Na
narrativa da Paixão, Cristo pergunta a Judas “Amigo, a que vieste?” A mesma pergunta Nosso Senhor faz a cada um
de nós: “Por que estais aqui? Por que vieste me ver?” Vamos dar nós o beijo
traidor na face do Mestre, ou vamos segui-Lo a cada ponto, a cada instante, a
cada dor, até a glória da ressurreição?
Se
queremos segui-Lo, preparemo-nos para a cruz, para o martírio, para as dores. Não
faltarão conosco os cirineus. As trevas, vez ou outra, se transformarão em luz;
a dor não será tirada, mas aliviada. Entretanto, depois desta caminhada, lá
longe, contemplaremos o mistério da Paixão, a cruz do Senhor. Do Rei avança o
estandarte, fulge o mistério da cruz.
Homilia proferida em 1º de
abril de 2012, Domingo de Ramos.
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1º Domingo da Paixão: “Do Rei, avança o estandarte, fulge o mistério da cruz”
15:34 | Postado por
Sacerdos |
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Padre Marcelo Tenório
V. Ave Maria,
Gratia plena, dominus tecum, benedicta tu in mulieribus, et benedictus frutus
ventris tui Jesus.
R: Sancta
Maria, mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc et in hora mortis
nostrae. Amen.
Enfim chegou o
Domingo da Paixão do Senhor. Cristo que sobe para o patíbulo. É o estandarte da
cruz que avança, como canta o hino antigo “Do Rei, avança o estandarte, fulge o
mistério da cruz”. A partir de agora, a Igreja entra ao lado do seu Senhor para
com Ele padecer e morrer. Se com Ele morremos, com Ele
também haveremos de ressuscitar.
O santo Evangelho
mostra a tensão de Jesus com aqueles que tramam a sua morte. A tensão vai
aumentando à medida em se aproxima o dia de seu suplício, da sua Paixão. Aqui Nosso Senhor fala algo muito duro para os fariseus; os
fariseus, na verdade, queriam um motivo para condenar Jesus à morte. Nosso
Senhor revela, de forma inequívoca, a sua divindade e a sua consubstancialidade
com o Pai: “Antes que Abraão fosse, Eu Sou”.
O Evangelho de João, quando fala “Eu Sou”, quer, na verdade, remontar ao Nome Santíssimo de Deus, quando nos é revelado no Antigo Testamento para Moisés: “Que direi eu ao faraó? Que nome tu tens?” “Diga-lhe que Eu Sou”.
O Evangelho de João, quando fala “Eu Sou”, quer, na verdade, remontar ao Nome Santíssimo de Deus, quando nos é revelado no Antigo Testamento para Moisés: “Que direi eu ao faraó? Que nome tu tens?” “Diga-lhe que Eu Sou”.
Javé, Yahweh, Eu
Sou. É o nome sagrado de Deus que até hoje os judeus não pronunciam em sinal de
respeito. Naquela época também não se pronunciava, mas a força deste nome de
Deus - “Eu Sou” - está na pessoa, na obra de Nosso Senhor Jesus Cristo. E
entrou no Santo dos Santos, não construído com mãos humanas (como fala São
Paulo aos Hebreus), não levou sangue de touro nem de cabritos, não ficou
repetindo ano a ano esta entrada como fazia o sumo sacerdote que, uma vez ao
ano, entrava no Santo dos Santos sozinho, com sangue aspergia todo o lugar
sagrado e pronunciava uma vez só o nome de Deus para a expiação de todos os
pecados. Pois bem: o sumo sacerdote, Cristo Nosso Senhor, entra no santuário,
não construído com mãos humanas; não leva sangue de nada, é Ele mesmo que se
oferece, é o seu próprio sangue, não pronuncia outro a não ser o seu mesmo
Nome, que é o da sua consubstancialidade com o Pai: “Eu Sou”.
Os fariseus se
apavoram, pegam pedras para apedrejá-lo, mas Ele sabiamente desaparece no templo.
Por quê? Porque ainda não havia chegado a sua hora. É o drama da Paixão a que
nós devemos assistir, mas não de forma passiva; assistir de forma ativa a cada
momento, a cada instante.
Hoje, Domingo da Paixão, o estandarte avança para ser cravado no Gólgota sobre o crânio de Adão; uma vez cravado no Gólgota sobre o crânio de Adão, Cristo restaura a aliança perdida. Por isso Ele pode dizer: “Quando Eu for elevado, atrairei todos a mim”.
Hoje, Domingo da Paixão, o estandarte avança para ser cravado no Gólgota sobre o crânio de Adão; uma vez cravado no Gólgota sobre o crânio de Adão, Cristo restaura a aliança perdida. Por isso Ele pode dizer: “Quando Eu for elevado, atrairei todos a mim”.
A cruz, então, será mais que sinal: um sacramental da salvação estendida à
humanidade inteira. E, assim, nós podemos cantar na Sexta-Feira Santa:
“Vitória, tu reinarás; ó cruz, tu nos salvarás”, ou “Ave, ó Cruz, nossa única
esperança”. É o nosso estandarte.
Entretanto, neste
estandarte da cruz, também estamos nós: somos nós que lhe pesamos na cruz, são
os nossos pecados, é o seu, é o meu pecado que faz a Sua cruz ser mais pesada;
esta cruz que Ele abraçará – aliás, esta cruz que Ele abraçou desde o mistério da Sua encarnação, cuja festa comemoramos amanhã devido a ter caído
hoje no Domingo da Paixão. E alguém dizia: “Ele não se encarnou e sofreu, mas
sofreu e por isso se encarnou”. Sofreu no sentido de que Deus não abandonaria
a Sua obra prima: não abandonaria o homem, a Sua criação perfeita na qual Ele
colocou Sua alma, colocou algo que só Ele tem, mas envia o Seu Filho único,
para que, através desse mistério grandioso que encerra o estandarte da cruz,
pudesse religar novamente o homem ao Seu Criador.
E, neste mistério
da Paixão do Senhor, cabe-nos esta assistência ativa. Primeiramente rompendo de
uma vez por todas com esse peso que somamos à cruz do redentor. Somos nós que
Lhe pesamos na cruz. Rompamos com os nosso pecados. Determinemo-nos em termos
uma vida santa. Não deixemos para amanhã se podemos fazer hoje, apressando a
nossa conversão. E, apressando a nossa conversão, com a carne que nos é dada de seu peito - e daí São Tomás o vê como pelicano de Deus,
aquela ave que, não tendo alimento para seus filhos, com o seu bico pontiagudo
rasga o seu próprio peito para alimentar as suas crias - Deus nosso Senhor
desce, rasga o peito, entrega-nos o Seu corpo e o Seu sangue para que através
deles - corpo e sangue - nós na graça vivêssemos, vivêssemos na santidade.
É uma ousadia
nossa; é um pecado gravíssimo; chega a ser um sacrilégio, então, desonrarmos essa
salvação - se é que se pode desonrá-la - mas fazer pouco caso desta salvação
que custou ao Filho de Deus Sua carne, Seu sangue, Suas dores. Nossa resposta
deve ser imediata; diante de tanto amor de um Deus que desce e que deseja que
subamos a Ele, a nossa resposta deve ser imediata. “Senhor tu sabes tudo,
tu sabes que eu te amo”, assim como Pedro respondeu ao ser indagado por Jesus
por duas vezes - em vez do uso do verbo agape, Pedro usa o verbo filioste.
“Pedro tu me amas?” “Gosto”. “Pedro tu me amas?” “Gosto”. “Pedro, tu gostas de
mim?” Então Pedro percebe e consegue rever aquilo que havia perdido: “Senhor tu
sabes tudo, tu sabes que eu te amo”. Que o nosso amor por Deus nosso Pai e pelo
seu Filho seja aquele amor agape, sacrifical, capaz de dar a
própria vida.
Na santa Missa
Cristo se dá a nós, mas também nesta mesma Missa a que assistimos, devemos
nos dar totalmente a Cristo: hóstia com hóstia, o sacrifício dEle - único,
perfeito e eterno - e o nosso sacrifício no sentido de romper com tudo que nos
afasta de Deus para sermos todos de Deus. Perder tudo para ter Tudo, no “tudo
que é Deus”, como nos ensinava São Francisco de Assis.
Homilia proferida em 25 de março de 2012.
Homilia proferida em 25 de março de 2012.
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Publicação das Homilias da Quaresma e do Tempo Pascal
15:33 | Postado por
Sacerdos |
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Salve Maria!
Publicaremos a
partir de hoje uma série de homilias proferidas pelo Revmo. Pe. Marcelo Tenório
nas Missas celebradas durante a Quaresma, e assim sucessivamente, até as
ferias atuais.
Esperamos que
todos aproveitem os excelentes sermões.
Boa meditação.
In Christe Fide,
Sacerdos
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